quinta-feira, 14 de junho de 2012

Como Viver Bem, Cora Coralina



Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem?

Ela disse-lhe: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você, não pense.


Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.


Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.


O bom é produzir sempre e não dormir de dia.


Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.


Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.


Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!


Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?


Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.


Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.


Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.


Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”

"Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir." 


Ana Lins do Guimarães Peixoto Bretas
Pseudônimo: Cora Coralina
Nasceu em Cidade de Goiás, a 20 de agosto de 1889
Faleceu em Goiânia, a 10 de abril de 1985.

Foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 ( Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais) quando já tinha quase 76 anos de idade.
Mulher simples, doceira de profissão de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.





2 comentários:

  1. Olá Cristina!
    Parabéns pela postagem! Cora Coralina é um exemplo de vida, nunca desistiu de acreditar nos sonhos e somente aos 76 anos pode ver seu primeiro livro publicado, mesmo já sendo escritora e poetisa!
    Abraços.

    “Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jeferson Cardoso)

    Convido para que leia e comente “OLGA FAZ IOGA” no http://jefhcardoso.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada pela participação e o convite. Namastê!

      Excluir

Printfriendly