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domingo, 23 de julho de 2017

Não é bastante ter ouvidos, Alberto Caeiro



“Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma.” 
Alberto Caeiro

domingo, 2 de abril de 2017

Realidade das coisas, Alberto Caeiro



"A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta."
Alberto Caeiro 
Heterônimo de Fernando Pessoa

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Agora que sinto amor, Alberto Caeiro



Agora que sinto amor 
Tenho interesse no que cheira. 
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro. 
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova. 
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia. 
São coisas que se sabem por fora. 
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça. 
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira. 
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver. 

Alberto Caeiro

In: "O Pastor Amoroso", heterônimo de Fernando Pessoa.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Um dia de chuva, Fernando Pessoa


"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. 
Ambos existem, cada um como é."
Alberto Caeiro
Heterônimo de Fernando Pessoa 

Início do Verão no Brasil

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O essencial é saber ver, Alberto Caeiro



"O essencial é saber ver, 
mas isso, triste de nós que trazemos a alma vestida,
isso exige um estudo profundo,
aprendizagem de desaprender. 
Eu procuro despir-me do que aprendi, 
eu procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram 
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, 
desembrulhar-me 
e ser eu."

Alberto Caeiro

Alberto Caeiro é heterônimo de Fernando Pessoa, é considerado como o Mestre Ingênuo de suas múltiplas personalidades poéticas. É ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sinto-me nascido, Alberto Caeiro




"Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…"
Alberto Caeiro

Alberto Caeiro foi um personagem ficcional (heterônimo) criada por Fernando Pessoa, escritor, poeta e filósofo português.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Passa uma borboleta, Alberto Caeiro


Flor Borboleta (Clerodendrum ugandense)


Passa uma borboleta por diante de mim 
E pela primeira vez no Universo eu reparo 
Que as borboletas não têm cor nem movimento, 
Assim como as flores não têm perfume nem cor. 
A cor é que tem cor nas asas da borboleta, 
No movimento da borboleta o movimento é que se move, 
O perfume é que tem perfume no perfume da flor. 
A borboleta é apenas borboleta 
E a flor é apenas flor.

Alberto Caeiro 
07-05-1914

in "O Guardador De Rebanhos" poema XL.

Alberto Caeiro da Silva (Lisboa, 16 de Abril de 1889 ou Agosto de 1887 – Junho de 1915) foi um personagem ficcional (heterônimo) criada por Fernando Pessoa, sendo considerado o Mestre Ingenuo dos restantes heterônimos (Álvaro de Campos e Ricardo Reis) e do seu próprio autor, apesar de apenas ter feito a instrução primária.
Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objetividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.

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domingo, 13 de janeiro de 2013

O meu olhar, Alberto Caeiro

foto de Claudia Casella


O meu olhar é nítido como um girassol. 
Tenho o costume de andar pelas estradas 
Olhando para a direita e para a esquerda, 
E de, vez em quando olhando para trás... 
E o que vejo a cada momento 
É aquilo que nunca antes eu tinha visto, 
E eu sei dar por isso muito bem... 
Sei ter o pasmo essencial 
Que tem uma criança se, ao nascer, 
Reparasse que nascera deveras... 
Sinto-me nascido a cada momento 
Para a eterna novidade do Mundo... 

Creio no mundo como num malmequer, 
Porque o vejo. Mas não penso nele 
Porque pensar é não compreender... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele 
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... 
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar... 
Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência não pensar...


Alberto Caeiro 
08-03-1914


in "O Guardador De Rebanhos", poema II.


Alberto Caeiro da Silva (Lisboa, 16 de Abril de 1889 ou Agosto de 1887 – Junho de 1915) foi um personagem ficcional (heterônimo) criada por Fernando Pessoa, sendo considerado o Mestre Ingenuo dos restantes heterônimos (Álvaro de Campos e Ricardo Reis) e do seu próprio autor, apesar de apenas ter feito a instrução primária.
Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objetividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Caeiro




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