domingo, 31 de março de 2013

As diferenças entre um sábio e um cientistas, Rubem Alves





 As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas.

O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra “sapio”, em latim, quer dizer “eu degusto”… O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: “Não tem gosto, mas tem poder”… É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder.

Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis.

Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: “Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada”. O cientista soma. O sábio subtrai.

Riobaldo*, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mun­do é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando…”

É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo.

Eu mesmo já mudei nem sei quantas vezes. As pessoas da minha geração são as que viveram mais tempo, não pelo número de anos contados pelos relógios e calendários, mas pela infinidade de mundos por que passamos num tempo tão curto. Nos meus 74 anos, meu corpo e minha cabeça viajaram do mundo da pedra lascada e da madeira – monjolo, pi­lão, lamparina – até o mundo dos computadores e da internet.

Os animais e plantas também mudam, mas tão devagar que não percebemos. Estão prontos. Abelhas, vespas, cobras, formigas, pássaros, aranhas são o que são e fazem o que fazem há milhões de anos. Porque estão prontos, não precisam pensar e não podem ser educados. Sua programação, o tal de DNA, já nasce pronta. Seus corpos já nascem sabendo o que precisam saber para viver.

Conosco aconteceu diferente. Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura.

Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo… Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para “desigualizar” as pessoas e fazer outros mundos nascerem…

Rubem Alves

* Riobaldo - personagem de Grande Sertões Vereda, de Guimarães Rosa


sábado, 30 de março de 2013

Minha cidade, Cora Coralina

                                                                              Antiga casa de Cora Coralina

Goiás, minha cidade...
Eu sou aquela amorosa
de tuas ruas estreitas,
curtas,
indecisas,
entrando,
saindo
uma das outras.
Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.
Eu sou aquela mulher
que ficou velha,
esquecida,
nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,
contando estórias,
fazendo adivinhação.
Cantando teu passado.
Cantando teu futuro.
Eu vivo nas tuas igrejas
e sobrados
e telhados
e paredes.
Eu sou aquele teu velho muro
verde de avencas
onde se debruça
um antigo jasmineiro,
cheiroso
na ruinha pobre e suja.
Eu sou estas casas
encostadas
cochichando umas com as outras,
Eu sou a ramada
dessas árvores,
sem nome e sem valia,
sem flores e sem frutos,
de que gostam
a gente cansada e os pássaros vadios.
Eu sou o caule
dessas trepadeiras sem classe,
nascidas na frincha das pedras
Bravias.
Renitentes.
Indomáveis.
Cortadas.
Maltratadas.
Pisadas.
E renascendo.
Eu sou a dureza desses morros,
revestidos,
enflorados,
lascados a machado,
lanhados, lacerados.
Queimados pelo fogo.
Pastados.
Calcinados
e renascidos.
Minha vida,
meus sentidos,
minha estética,
todas as vibrações
de minha sensibilidade de mulher,
têm, aqui, suas raízes.
Eu sou a menina feia
da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.

Cora Coralina 


Poema dos becos de Goiás e histórias mais.
Rio de Janeiro: Global, 1985. p.47-48.





Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu na cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel". Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Conhecimento da suprema verdade, Bhagavad Gita



“Quando alguém, com fé e amor, oferece-me algo,
Por menor que seja –
Uma folha, uma flor, uma fruta, um gole de água –
Eu o aceitarei com prazer das suas mãos.

O que quer que fizeres ou deres, ó príncipe –
Sejam presentes, jogos ou orações –
Oferece-me todas as tuas oferendas
Com um coração cheio de devotamento.

Destarte te libertarás da cadeia dos resultados
Que te prendes a este plano inferior,
Onde se sucedem o próspero e o adverso.
Pela ioga do desapego, entrarás em mim.”

KRISHNA in Bhagavad Gita, IX, 26-28



Bhagavad Gita ("Canção de Deus") é um texto religioso hindu.     

Saiba mais: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bagavadguit%C3%A1

http://www.4to40.com/bhagavad_gita/Raja_Vidya_Guhya_Yoga.asp

quinta-feira, 28 de março de 2013

Esperança, Emily Dickinson



"Esperança" é a coisa com penas
Que se empoleira na alma
E canta um som sem palavras
E nunca, mas nunca, pára,

E mais doce é ouvido no vendaval;
E dura precisa ser a tempestade
Que poderia desanimar o passarinho
Que mantém aquecidos a tantos.

Já o ouvi nas terras mais geladas
E nos mares mais estranhos,
Entretanto nunca, mesmo no desespero,
Ele pediu uma migalha a mim."

Emily Dickinson(10 de dezembro de 1830 - 15 de maio de 1886) foi uma poeta norte-americana.

Leia mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Emily_Dickinson

Original poem


“Hope” is the thing with feathers -
That perches in the soul -
And sings the tune without the words -
And never stops - at all -


And sweetest - in the Gale - is heard -
And sore must be the storm -
That could abash the little Bird
That kept so many warm -


I’ve heard it in the chillest land -
And on the strangest Sea -
Yet - never - in Extremity,
It asked a crumb - of me.

Emily Dickinson, "'Hope' is the Thing with Feathers" from The Complete Poems of Emily Dickinson, edited by Thomas H. Johnson.  Copyright 1945, 1951, 8 1955, 1979, 1983 by the President and Fellows of Harvard College.  Reprinted with the permission of The Belknap Press of Harvard University Press.
Source: The Poems of Emily Dickinson Edited by R. W. Franklin (Harvard University Press, 1999).

quarta-feira, 27 de março de 2013

Canção do vento e da minha vida, Manuel Bandeira



O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
E as amizades…
O vento varria as mulheres…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos…
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
Manuel Bandeira
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira, sendo seu poema Os Sapos o abre-alas da Semana de Arte Moderna de 1922. Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Nélson Rodrigues, Carlos Pena Filho e Osman Lins, entre outros, representa a produção literária do estado de Pernambuco.
Fonte: livro Lira dos Cinquent’anos, publicado em 1940. 

terça-feira, 26 de março de 2013

Desenho, Cecília Meireles


Cecília Meireles em Lisboa. Desenho de seu primeiro marido, 
Fernando Correia Dias.



Traça a reta e a curva,
a quebrada e a sinuosa
Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exatidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
Traçarás perspectivas, projetarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a
[vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que
[pensávamos.
Raramente, um pouco mais.



Cecília Meireles, in "O estudante empírico", em Antonio Carlos Secchin (org.), Poesia Completa.Tomo II. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2001, p, 1455-56.



Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Tijuca, Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.


Leia Mais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles

segunda-feira, 25 de março de 2013

O que acontece no organismo depois que somos picados pelo mosquito da dengue?




Você já parou para pensar no que acontece no organismo depois que somos picados pelo Aedes aegypt  infectado pelo vírus? O vírus da dengue faz parte da família dos flavivírus. Trata-se de um filamento com material genético que fica envolvido por uma membrana proteica, como se fosse um envelope. Esse “envelope” é formado por 20 lados e forma uma esfera parecida com uma bolinha de golfe. Além desse envelope proteico ele possui uma membrana dupla de lipídios (gordura).
Quando o Aedes aegypt introduz o vírus em nosso sangue, as membranas do vírus se fundem com a das células dos tecidos que envolvem os nossos vasos sanguíneos e então começa a se multiplicar usando nossas próprias células para isso. Acontece uma inflamação nesses vasos e o sangue começa a circular lentamente na corrente sanguínea, isso prejudica a oxigenação dos nossos órgãos e é por isso que sentimos cansaço. Assim, invade e ataca nosso sistema circulatório, provocando inflamação do fígado causando as dores abdominais.
Além disso, o vírus também diminui a produção das plaquetas no sangue que são responsáveis pela coagulação. Na dengue hemorrágica, a produção de plaquetas diminui tanto que além dos sintomas da dengue “comum”, aparecem sangramentos (hemorragias) na pele, na forma de manchas vermelhas. Por causa do ataque aos vasos sanguíneos, as gengivas e nariz também podem sangrar.
A dengue mata quando os vasos ficam tão frágeis, que acontecem vazamentos de líquidos do sangue, que podem se acumular na pleura (membrana que envolve o pulmão) e no abdômen, fazendo que o doente entre em estado de choque.
As fêmeas do Aedes aegypt precisam de duas coisas: (1) sangue para nutrir seus ovos e (2) água parada para desenvolve-los. FAÇA SUA PARTE!


Leia Mais sobre a Dengue

domingo, 24 de março de 2013

Felicidade, Nietzsche



imagem Google

"Como é preciso pouco para a felicidade! (...) a menor
coisa, precisamente a mais suave, a mais leve, o farfalhar de um lagarto, um sopro, um psiu, um olhar de relance - é o pouco que faz a melhor felicidade. Silêncio!" 


Nietzsche

sábado, 23 de março de 2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Aceitar-me plenamente?, Clarice Lispector

Foto de Monika Zborowska



"Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado. É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue.

 Clarice Lispector

In "Um sopro de vida", Clarice Lispector, Editora Rocco.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Eu sou porque nós somos, Cultura Xhosa



Um antropólogo fez uma brincadeira com as crianças de uma tribo africana. Ele colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que o primeira que chegasse na árvore ganharia todas as frutas. Dado o sinal todas as crianças sairam ao mesmo tempo ... e de mãos dadas! Então sentaram-se juntas para aproveitar da recompensa. Quando o antropólogo perguntou porque eles haviam agido desta forma sabendo que um entre eles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam: "Ubuntu, Como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes?"

UBUNTU na cultura Xhosa significa: "Eu sou porque nós somos".

quarta-feira, 20 de março de 2013

Yoga, Brahma Kumaris

imagem google



“Yoga significa não parar em qualquer lugar. Se algum pensamento nos faz parar, a tristeza vem. Aconteça o que acontecer, precisamos manter a consciência de que eu, a alma, sou imperecível na frente de tudo perecível, o mundo e os relacionamentos. Yoga é saber que pertenço a Deus e que Deus me pertence. É ter a experiência de luz e poder através da conexão e do relacionamento com Ele. É refletir sobre as versões e qualidades do Pai. É tornar-se divertido e alegre. É aprender a sorrir do nada. É ir além e ajudar outros a irem além também.”
Brahma Kumaris

terça-feira, 19 de março de 2013

Cada dia, José Luís Peixoto

 Imagem Google



Cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez. Porque nós somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltamos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás, não se pode deixar de crescer sempre, não se pode não aprender. Somos obrigados a isso todos os dias. Mesmo que, às vezes, esqueçamos muito daquilo que aprendemos antes. Mas, ainda assim, quando percebemos que esquecemos, lembramo-nos e, por isso, nunca é exactamente igual.
 
José Luís Peixoto

José Luís Peixoto (Galveias, Ponte de Sor, 4 de setembro de 1974, Portugal), é um narrador, poeta e dramaturgo português.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Serás eterno, Cecília Meireles

 Foto: Julia Antonio A. de Amélie


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.

Cecília Meireles

domingo, 17 de março de 2013

Vida, Cora Coralina

Foto de Eliza Carneiro


"Nunca escreverei uma palavra, para lamentar a Vida.
Meu verso é água corrente, é tronco, é fronde,
é folha, é semente, é vida."


Cora Coralina

sábado, 16 de março de 2013

Quando você diz, William Shakespeare

Imagem Google



Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. 
Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha.
Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. 
É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama...


William Shakespeare


In: "Poemas de amor". William Shakespeare

sexta-feira, 15 de março de 2013

Desafio, Carolina Carvalho

Imagem ByNina



Pois às vezes é assim, a gente reclama e nem percebe porque vira rotina. Vira parte da gente.
E a gente acaba sendo gente chata, ranzinza e afasta as pessoas de perto.
Tem coisa que não tem jeito, tem que reclamar mesmo. Reclamar mas com consciência, reclamar com atitude, reclamar para mudar alguma coisa.

Esse desafio que proponho a você é passar um dia inteiro sem reclamar de nada. Se a vontade aparecer, anote num papel. No dia seguinte repita. E releia o que você reclamaria no dia anterior. Possivelmente não fará mais nenhum sentido. 
E sempre se faça essa pergunta: A reclamação que eu tenho a fazer mudará alguma coisa?
Tem quem reclame ainda todos os dias das mesmas coisas. É o trânsito, o tempo, a falta de grana, o trabalho, o relacionamento, o fulano e por aí vai.
Reclamação que se repete age na gente como um mantra. Só que ao invés de atrair coisas boas, acaba por fazer o efeito contrário.
Se você se reconhece na turma dos que reclamam repetidamente, cuidado.
Por favor, mude o disco, mude a música e cante uma canção diferente.
Mude a sua perspectiva de ver o mundo.
Experimente elogiar e ver o belo nas coisas e nas pessoas.
A consequência disso você vai perceber rapidamente.
E te digo: você vai sorrir muito mais!


Carolina Carvalho (ByNina)


Fonte: Blog ByNina

quinta-feira, 14 de março de 2013

Você consegue ouvir o córrego na montanha?, Eckhart Tolle



Um mestre zen estava caminhando em silêncio com um dos seus discípulos por uma trilha na montanha. Quando chegaram a um velho pé de cedro, eles se sentaram embaixo dessa árvore e fizeram uma refeição simples, com apenas de um pouco de arroz e hortaliças. Após a refeição, o discípulo,
um jovem monge que ainda não descobrira a chave para o mistério do zen, rompeu o silêncio perguntando ao mestre:
- Mestre, como faço para entrar no zen?
Ele estava, é claro, perguntando como entrar no estado de consciência que é conhecido como zen.
O mestre permaneceu em silêncio. O discípulo esperou ansiosamente por uma resposta por quase cinco minutos. Ele estava prestes a fazer outra
pergunta quando o mestre falou de repente:
- Está ouvindo o som daquele córrego na montanha?
O discípulo não tinha notado nenhum córrego na montanha. Estivera mais preocupado em pensar sobre o significado do zen. Agora, enquanto
começava a escutar o som, sua mente ruidosa se acalmou. A princípio ele não ouviu nada. Depois, seu pensamento deu lugar a um estado de alerta mais
intenso e, de repente, ele ouviu o murmúrio quase imperceptível de um córrego a longa distância.
- Sim, consigo ouvir agora - confirmou.
O mestre ergueu um dedo e, com um olhar que de alguma maneira era ao mesmo tempo feroz e gentil, complementou:
- Entre no zen por aí.
O discípulo ficou perplexo. Era seu primeiro satori - um lampejo de iluminação. Ele sabia o que o zen era sem saber o que era aquilo que ele sabia!
Eles prosseguiram na sua jornada em silêncio. O discípulo estava impressionado com a manifestação da vida no mundo à sua volta. Sentia tudo como se fosse pela primeira vez. Pouco a pouco, porém, começou a pensar de novo. O silêncio alerta voltou a ser encoberto pelo ruído mental, e não
demorou muito tempo para que ele fizesse outra pergunta.
- Mestre, estive pensando. O que o senhor teria dito se eu não tivesse sido capaz de ouvir o córrego?
O mestre parou, olhou para ele, ergueu o dedo e disse:
- Entre no zen por aí.


Eckhart Tolle

In "O despertar de uma nova consciência", Eckhart Tolle - Editora Sextante página 154.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Por isso acordo cedo, Mary Oliver

 Imagem Google

Olá, sol no meu rosto.
Olá, você que fez a manhã e o espalhou sobre os campos
e nos rostos das tulipas
dizendo sim às gloriosas manhãs
e nas janelas, tanto do miserável quanto do extravagante -


O melhor pastor (pregador) que já existiu,
Querido astro, que está aonde está no Universo

justamente para nos guardar da escuridão perene
para nos oferecer a tua cálida carícia
e nos manter nas grandes mãos luminosas -

Bom dia, bom dia, bom dia.

Veja agora, como eu começo o meu dia
Em felicidade, em bondade.

 
Mary Oliver

Nascida em Maple Heights, Ohio, em 10 de setembro de 1935. É uma poetisa americana que ganhou o National Book Award e o Prêmio Pulitzer.
In: "Why I Wake Early", 2004.
 
Tradução e interpretação de Lucia Sotero
Leia mais sobre Mary Oliver


Why I Wake Early

'Hello, sun in my face.
Hello, you who made the morning
and spread it over the fields
and into the faces of the tulips
and the nodding morning glories,
and into the windows of, even, the
miserable and the crotchety – 

best preacher that ever was,
dear star, that just happens
to be where you are in the universe
to keep us from ever-darkness,
to ease us with warm touching,
to hold us in the great hands of light –
good morning, good morning, good morning. 

Watch, now, how I start the day
in happiness, in kindness.'

Mary Oliver

(Why I Wake Early, 2004)

terça-feira, 12 de março de 2013

Quando abro a janela, Mário Quintana

Reading in the nature: felicity by Anna Day Mona


"Quando abro, a cada manhã,
a janela do meu quarto,
É como se abrisse o mesmo livro,
Numa página nova..." 


Mário Quintana

segunda-feira, 11 de março de 2013

Enfeite-se, Carlos Drummond de Andrade



Imagem Google


“Enfeite-se com margaridas e ternuras,
E escove a alma com flores,
Com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração acelerado
Saia do quintal de si mesmo
E descubra o próprio jardim...”

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 10 de março de 2013

Lugar ao sol, Chorão (Charlie Brown Jr.)


Ponta da Praia - Santos - SP - Brasil  (Foto: Lea Leal)


Que bom viver, como é bom sonhar
E o que ficou pra trás passou e eu não me importei
Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido


Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Que só quer brincar e não tanta responsa
Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir


Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol


Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol


Um dia eu espero te reencontrar numa bem melhor
Cada um tem seu caminho, eu sei foi até melhor
Irmãos do mesmo Cristo, eu quero e não desisto


Caro pai, como é bom ter por que se orgulhar
A vida pode passar, não estou sozinho
Eu sei se eu tiver fé eu volto até a sonhar


Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol


Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol


O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus que nunca acaba


O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus... que nunca acaba


Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor


Eu vou com você pra onde você for
Eu descobri que é azul a cor da parede da casa de Deus
E não há mais ninguém como você e eu


Chorão (Charlie Brown Jr.)

Alexandre Magno Abrão (São Paulo, 9 de abril de 1970 — São Paulo, 6 de março de 2013), mais conhecido pelo seu nome artístico Chorão foi um cantor, compositor, cineasta, poeta, roteirista e empresário brasileiro. Foi o vocalista, principal letrista e cofundador da banda santista Charlie Brown Jr., em que a formou em 1992 junto com Renato Pelado, Marcão, Champignon e Thiago Castanho, foi o único integrante da banda a participar de todas formações, junto com o Charlie Brown lançou dez discos e já venderam mais de cinco milhões de discos.

Leia mais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chor%C3%A3o_%28cantor%29 

Assista ao vídeo
http://youtu.be/GrugvgIYM4o 

 

sábado, 9 de março de 2013

Uma Mulher, Ianê Mello

Pintura de Irina Vitalievna Karkabi


E um dia uma mulher
cujo olhar você toca
aveludadas pétalas rosáceas
de botão se abrem em flor
doce mistério que se revela

E um dia uma mulher
cujo olhar você toca
resplandece em sua essência
como num conto de fadas
acalentado na doce infância

E um dia uma mulher
cujo olhar você toca
após infindável espera
aos seus olhos se mostra
tornando real o sonho

E um dia uma mulher
cujo olhar você toca
rompe a casca e se liberta
em suas mãos promessas
em seu corpo abrigo

E um dia uma mulher
em seu olhar se encontra
vidas que se entrelaçam
em seu ventre fértil
um novo recomeço


Ianê Mello


Nascida no Rio de Janeiro (RJ).
É educadora e pós-graduada em Pedagogia.
Identificada com as diversas propostas em textos literários, escreve também com resultados
diversificados.
Seus textos incluem contos, crônicas, aforismos, haicais e poesias.
Alguns deles são publicados na internet, em sites, blogs e revistas eletrônicas.

Links Externos

Blogs Pessoais:

Labirintos da Alma - http://labirintosdaalma.blogspot.com/
Outras Formas de Expressão- http://ianemello.blogspot.com/
Diálogos Poéticos - http://dialogospoeticosimello.blogspot.com/
Meus Vídeo-poemas - http://ianemellomeusvideopoemas.blogspot.com/
EntreGêneros - http://entregenerosimello.blogspot.com/

Participação como Colunista:

Comunidade Literária Benfazeja

Revista Contemporartes

Textos na Internet:

Comunidade Literária Benfazeja - http://www.benfazeja.com/

Antologia Momento Litero-Cultural

Revista Zunai

Revista Biografia
(http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com/2012/01/iane-mello-poeta-brasileira.html)

Facebook:

Facebook ( Ianê Mello ) - https://www.facebook.com/iane.mello
Grito Criativo
https://www.facebook.com/groups/poeticadoencontro/?notif_t=group_activity

Grupos do facebook nos quais participa:

Vidráguas

Contato: ianerubens@gmail.com
iane.mello@hotmail.com

sexta-feira, 8 de março de 2013

Amigo sem nome, Marguerite Yourcenar

  Wilhelm  Schutze


Admirado que uma menina não tenha dado um nome ao seu gato, alguém pergunta:  
- Mas como é que você o chama?
E a menina responde:
- Não o chamo. Ele vem quando quer.


Marguerite Yourcenar

quinta-feira, 7 de março de 2013

Os três últimos desejos, Alexandre, o Grande




Conta a lenda que, à beira da morte, Alexandre, o Grande, convocou todos os seus generais e relatou seus três últimos desejos:

1º- Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2º- Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas…);

3º- Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1º- Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não tem poder de cura perante a morte;

2º- Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

3º- Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.


Pense nisso…


Saiba mais sobre Alexandre.
http://www.suapesquisa.com/pesquisa/alexandre_grande.htm 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Criança, José Saramago

Cristina De Carli bebê (eu mesma)



"Tentei não fazer nada na vida

que envergonhasse a criança que fui".

José Saramago

terça-feira, 5 de março de 2013

Hoje somos o que somos, Alfred Tennyson

 Judi Dench (M em 007 Operação Skyfall)


“Não somos mais aquela força dos velhos tempos;quando movíamos céus e terras,
hoje somos o que somos;
corações heróicos e um único caráter;enfraquecidos pelo tempo e destino,
mas fortes na vontade;
para lutar, buscar, encontrar, e não se render”.


Alfred Tennyson, 1º Barão de Tennyson (Somersby, 6 de agosto de 1809 – 6 de outubro de 1892), foi um poeta inglês.

Este é um trecho do poema Ulysses, de Alfred Tennyson   foi citado por  M (Judi Dench) em 007 Operação Skyfall.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Amar é a única salvação, Clarice Lispector



"Não posso perder um minuto do tempo
que faz minha vida.
Amar os outros é a única salvação
individual que conheço:
ninguém estará perdido se der amor e
às vezes receber amor em troca."


Clarice Lispector

domingo, 3 de março de 2013

A televisão, Eckhart Tolle

imagem Google

Ver televisão é a atividade de lazer favorita (ou melhor, a opção de inatividade) de milhões de pessoas em todo o mundo. Nos Estados Unidos,
por exemplo, quem está na faixa dos 60 anos de idade já terá passado 15 anos diante da tela da TV. Em muitos outros países, os índices são semelhantes.
Para um número significativo de pessoas, ver televisão é algo "relaxante".
Observe a si mesmo e verá que, quanto mais tempo sua atenção permanece tomada pela tela, mais sua atividade intelectual se mantém suspensa. Assim,
por longos períodos você estará assistindo a atrações como programas de entrevistas, jogos, shows de variedades, quadros de humor e até mesmo a
anúncios sem que quase nenhum pensamento seja gerado pela sua mente.
Você não apenas deixa de se lembrar dos seus problemas como se torna livre de si mesmo por um tempo - e o que poderia ser mais relaxante do que isso?
Então ver televisão cria o espaço interior? Será que isso nos faz entrar no estado de presença? Infelizmente, não é o que acontece. Embora a mente
possa ficar sem produzir nenhum pensamento por um bom tempo, ela permanece ligada à atividade do pensamento do programa que está sendo
exibido. Mantém-se associada à versão televisiva da mente coletiva e segue absorvendo seus pensamentos. Sua inatividade é apenas no sentido de que ela não está gerando pensamentos. No entanto, continua assimilando os pensamentos e as imagens que chegam à tela. Isso induz um estado passivo
semelhante ao transe, que aumenta a suscetibilidade, e não é diferente da hipnose. E por isso que a televisão se presta à manipulação da "opinião
pública", como é do conhecimento de políticos, de grupos que defendem interesses específicos e de anunciantes - eles gastam fortunas para nos prender
no estado de inconsciência receptiva. Querem que seus pensamentos se tornem nossos pensamentos e, em geral, conseguem.
Portanto, quando estamos vendo televisão, nossa tendência é cair abaixo do nível do pensamento, e não nos posicionarmos acima dele. A TV tem isso
em comum com o álcool e com determinadas drogas. Embora ela nos proporcione um pouco de alívio em relação à mente, mais uma vez pagamos
um preço alto: a perda da consciência. Assim como as drogas, essa distração tem uma grande capacidade de viciar. Procuramos o controle remoto para
mudar de canal e, em vez disso, nos vemos percorrendo todas as emissoras.
Meia hora ou uma hora mais tarde, ainda estamos ali, passeando pelos canais.
O botão de desligar é o único que nosso dedo parece incapaz de apertar.
Continuamos olhando para a tela. Porém, normalmente não porque algo significativo tenha chamado nossa atenção, e sim porque não há nada
interessante sendo transmitido. Depois que somos fisgados, quanto mais trivial e mais sem sentido é a atração, mais intenso se torna nosso vício. Se
isso fosse estimulante para o pensamento, motivaria nossa mente a pensar por si mesma de novo, o que é algo mais consciente e, portanto, preferível a um
transe induzido pela televisão. Dessa forma, nossa atenção deixaria de ser prisioneira das imagens da tela.

O conteúdo da programação, caso apresente alguma qualidade, pode até certo ponto neutralizar, e algumas vezes até mesmo desfazer, o efeito
hipnótico e entorpecedor da TV. Existem determinados programas que são de
uma utilidade extrema para muitas pessoas - mudam sua vida para melhor, abrem seu coração, fazem com que se tornem mais conscientes. Há também
algumas atrações humorísticas que acabam sendo espirituais, mesmo que não tenham essa intenção, por mostrarem uma versão caricata da insensatez
humana e do ego. Elas nos ensinam a não levar nada muito a sério, a permitir um pouco mais de descontração e leveza na nossa vida. E, acima de tudo, nos ensinam isso enquanto nos fazem rir. O riso tem uma extraordinária capacidade de liberar e curar. Contudo, a maior parte do que é exibido na
televisão ainda está nas mãos de pessoas que são totalmente dominadas pelo ego. Assim, a intenção oculta da TV é nos controlar nos colocando para
dormir, isto é, deixando-nos inconscientes. Mesmo assim, existe um potencial enorme e ainda inexplorado nesse meio de comunicação.
Evite assistir a programas e anúncios que o agridam com uma rápida sucessão de imagens que mudam a cada dois ou três segundos ou menos. O
hábito de assistir à televisão em excesso e essas atrações em particular são duas causas importantes do transtorno de déficit de atenção, um distúrbio
mental que vem afetando milhões de crianças em todo o mundo. A atenção deficiente, de curta duração, torna todos os nossos relacionamentos e
percepções superficiais e insatisfatórios. Qualquer coisa que façamos nesse estado, qualquer ação que executemos, carece de qualidade, pois a qualidade
requer atenção.
O hábito de ver televisão com freqüência e por longos períodos não só nos deixa inconscientes como induz a passividade e drena toda a nossa energia. Portanto, em vez de assistir à TV ao acaso, escolha os programas que despertam seu interesse. Enquanto estiver diante dela, procure sentir a vívida
atividade dentro do seu corpo - faça isso toda vez que se lembrar. De vez em quando, tome consciência da sua respiração. Desvie os olhos da tela em
intervalos regulares, pois isso evitará que ela se aposse completamente do seu sentido visual. Não ajuste o volume acima do necessário para que a televisão não o domine no nível auditivo. Tire o som durante os intervalos. Procure não dormir logo após desligar o aparelho ou, ainda pior, adormecer com ele
ligado.


Eckhart Tolle

In "O despertar de uma nova consciência",  Eckhart Tolle - Editora Sextante - página 199


"Leia mais livros e veja menos TV".  Dalai Lama

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