quarta-feira, 30 de março de 2016

Ressentimento do mundo, David Cohen





Ressentimento do mundo
Para Carlos Drummond de Andrade
"Enquanto no mundo
tem gente pensando
que sabe muito,
eu apenas sinto.
Muito."
David Cohen

In: “Poemas que desisti de rasgar”, Ed. 5W. David Cohen

terça-feira, 29 de março de 2016

Sempre que aceitar, Eckhart Tolle


"Sempre que aceitar profundamente o momento como ele é, qualquer que seja a sua forma, você experimenta a calma e fica em paz."
Eckhart Tolle

segunda-feira, 28 de março de 2016

Neste mundo, Eduardo Galeano

Jimmy Spa


"Neste mundo de plástico e de ruído, quero ser de barro e de silêncio."
Eduardo Galeano

domingo, 27 de março de 2016

Rubem Alves fala da Páscoa

Foto: ELENA WILL*



O Luiz Fernando Veríssimo escreveu uma crônica hilariante sobre a Páscoa. Foi um diálogo absurdo entre um menino, seu pai e sua mãe, sobre o sentido dessa festa. A crônica termina com uma observação justíssima do menino. Disse ele: “Eu acho que ao invés de “coelho da Páscoa” deveria ser “galinha da Páscoa…” Pois é claro. Todo mundo sabe que coelhos não botam ovos. E todos sabem que galinhas botam ovos…
Confesso minha ignorância: não sei como é que o coelho entrou nessa estória. Para início de conversa é preciso lembrar que os textos sagrados não fazem referência alguma a esse animalzinho fofo. Quem foi que teve a ideia de torná-lo o personagem mais importante dessa celebração cristã?
Certamente um gozador. E para tornar a estória mais absurda, fizeram com que os coelhos, que não botam ovos, botassem ovos de chocolate… Nos tempos de Jesus Cristo havia chocolate? Acho que não. Galinhas não são seres poéticos. Na poesia elas sempre aparecem como bichos engraçados, cacarejantes, de inteligência curta, cuja única função é botar ovos e serem transformadas em canja. Assim é compreensível que vocês não gostem da ideia de galinhas de Páscoa. Eu também não gosto.
Mas poderia ser “pombas de Páscoa”. Pombas são seres teológicos. Começando com a Arca de Noé. A se acreditar no relato do Antigo Testamento Noé, para se certificar de que o dilúvio acabara, soltou um corvo. Confesso que se eu fosse Noé teria adotado um método mais simples. Teria aberto a janela da arca e esticado o pescoço para fora. Eu veria, então, que a chuva havia terminado e que as plantas já estavam soltando os seus brotos. Será que Noé acreditava que o corvo, depois de voar, voltaria para dar um relatório? Como é que o corvo comunicaria os seus achados? O corvo ingrato não voltou. Desde então eles ficaram aves de má fama, injustamente. Vendo que o corvo não voltava e sem se dar conta do método mais fácil que sugeri, ele soltou uma pomba. Ah! Ave maravilhosa! Voou, viu, apanhou um ramo verde de oliveira, e o trouxe para Noé! É preciso notar que as oliveiras daqueles tempos extraordinários deveriam ser diferentes das oliveiras de agora. As oliveiras de agora certamente estariam mortas, depois de passar tanto tempo debaixo d’água. Oliveiras não são plantas sub-aquáticas.
Foi então que, pelo galho de oliveira que a pomba lhe trouxera, Noé ficou sabendo que o dilúvio havia chegado ao fim. Desde então as pombas passaram a ser símbolos teológicos: símbolos de pureza, símbolos de paz. Uma das telas mais comoventes de Picasso é uma menina com uma pombinha nas mãos. De fato as pombas têm um jeitinho de mansidão. O que não acontece com os corvos negros de bico torto. Bom para os corvos, mau para as pombas. As pombas passaram a serem usadas como aves a serem sacrificadas no templo pelas razões mais incríveis. Se não me falha a memória as mulheres, terminado seu período menstrual de impureza, deveriam sacrificar pombas no templo para se purificarem. Pobres pombas! O templo era uma sangueira. Quem quiser saber mais sobre a sangueira do templo que leia o livro de Saramago, “O evangelho segundo Jesus Cristo”. Os corvos, pela esperteza do primeiro corvo que não voltou, ficaram livres desse triste destino. Vem então o Novo Testamento que sacraliza definitivamente as pombas, ao relatar que o Espírito Santo é uma pomba. Sobre isso leia-se o poema de Alberto Caeiro em que ele conta como Jesus voltou à terra, tornado outra vez menino. É lindo.
Brincadeira de lado, o embaraço dos pais e a pergunta do menino revelam a confusão que marca essa festa. Ninguém sabe direito o que é que está sendo celebrado. E, para dizer a verdade, acho que são bem poucos aqueles que fazem alguma celebração. Antigamente semana santa era coisa séria. Lembro-me da procissão do enterro, os panos roxos, a banda de música tocando a marcha fúnebre de Chopin, as matracas, as mulheres mais piedosas carregando pedras na cabeça, como penitência… Isso mesmo: as mulheres carregavam pedras na cabeça. Como é bem sabido, Deus gosta de ver os seus filhos e filhas sofrer. Isso para não dizer da quaresma que a antecede, tempo em que as hostes do mal, demônios de todos os tipos, assombrações, mulas sem cabeça, almas penadas, ficavam soltas e todo mundo tinha medo de sair à noite. Sempre havia alguém que relatava, pela salvação da mãe morta, que havia visto uma mula sem cabeça numa encruzilhada à meia-noite. Meia noite era a hora do medo. E no escuro ouvia-se o zunido sinistro dos berra-
bois. Semana Santa era um tempo metafísico, entre o céu e o inferno.
Agora é diferente. Páscoa é domingo, pé de cachimbo, cachimbo é de barro, bate no jarro, jarro é de ouro, bate no touro,touro é valente, chifra a gente, a gente é fraco, cai no buraco, buraco é fundo, acabou-se o mundo… Páscoa é fim de semana santa, feriado de três dias, a praia está esperando, hora de se preparar para a viagem…
Contou-me um sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa que lá a Páscoa é uma grande festa. O comunismo não foi capaz de destruir a alma do povo. Pela manhã as pessoas saem pelas ruas e se cumprimentam dizendo: “Cristo ressuscitou!” E o outro responde, com uma risada: “Sim, ele ressuscitou!” ( A obra sinfônica de Rimski-Korsakov “A grande Páscoa russa” é linda”. E agora percebo que faz muito tempo que não a ouço). Entre nós, país onde 99% das pessoas acreditam em Deus (acreditam porque acham que, se não acreditarem, é capaz de ele, Deus, enviar algum castigo… ), a Páscoa é como uma casca de cigarra presa no tronco de uma árvore. Vazia. Morta. Não tem nada lá dentro. Mas já foi o corpo de um ser vivo que, cansado de ficar preso na casca, criou asas e voou. A Páscoa, com seus ovos de chocolate, é celebração inconsciente de um tempo que não existe mais, tempo em que se acreditava. Os ovos de chocolate, vocês sabem, são tão ocos quanto as cascas de cigarra…
Na tradição cristã mais antiga a semana santa era um teatro, o drama da vida dentro de uma casca de noz. Teologia mínima. Duas cenas apenas. Primeira cena: a morte e o seu horror parecem triunfar. Segunda cena: a vida sai do túmulo de pedra, deixando-o vazio como uma casca de cigarra.
A Adélia diz: “De vez em quando Deus me castiga, me tira a poesia. Olho uma pedra e vejo uma pedra…” Tem gente que ouve o canto das cigarras e ouve apenas o canto das cigarras. Tem gente que fala Páscoa e só vê ovo de chocolate. Pensam na ressurreição como algo aconteceu, faz muito tempo, num lugar distante. ( Impossível. mortos não ressuscitam. ) E pensam em algo que acontecerá de novo num tempo distante, muito longe, no futuro ( Impossível. Mortos não ressuscitarão.). Mas a poesia não conhece nem o passado e nem o futuro. O passado sobre que a poesia fala é presente na memória e nos sentimentos. O futuro sobre que a poesia fala é presente na esperança. Assim os poemas da ressurreição falam sempre do presente. A Morte é agora. Nós somos o túmulo. “Quem anda duzentos metros sem vontade anda seguindo o próprio funeral vestindo a própria mortalha…’ Muita gente morreu e não percebeu. Mas a Ressurreição pode acontecer também agora.
Tenho, no meu escritório, uma tela de Pierro della Francesca ( 1410 – 1492 ) chamada “Ressurreição”. A pedra do túmulo corta a tela em duas partes. Na parte de cima, com seu pé sobre a pedra, o Cristo ressuscitado. Na parte inferior, encostados à pedra, os guardas adormecidos. Perguntam-me sobre o sentido da tela. Respondo que não sei o sentido da tela. As telas têm muitos sentidos. Eu só posso dizer os pensamentos que aquele quadro me faz pensar. E digo: enquanto os guardas da morte estão dormindo, o divino que mora em nós sai do sepulcro. Sabem disso as cigarras. Caminhando hoje pela manhã na fazenda Santa Elisa eu ouvi o seu canto. Já haviam deixado suas cascas nos troncos das árvores. Agora são seres alados. Cantam e voam, a procura do amor…Acho que estão celebrando a Páscoa…

Rubem Alves

De 1933 a 2014, foi psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros religiosos, educacionais , existenciais e infantis. É considerado um dos maiores pedagogos brasileiros de todos os tempos, um dos fundadores da Teologia da Libertação e intelectual polivalente nos debates sociais no Brasil. Saiba muito mais sobre o escritor: www.lojarubemalves.com.br

* Foto de Elena Will - http://elenawillfotografia.com/

sábado, 26 de março de 2016

A flor de maracujá, Catulo da Paixão Cearense



Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce roxa,
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhes conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pruque  nasci  roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui a caridadi,
Mais branco do que o luá.

Quando as frô brotava nele,
Lá pros confim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.

Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro o cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.

Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio da laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.

I o sangui de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que ouvi contá,

A razão pruque nasci  roxa,
A frô do maracujá

Catulo da Paixão Cearense
Nascido em São Luís do Maranhão, 8 de outubro de 1863 — Rio de Janeiro, 10 de maio de 1946) foi um poeta, músico e compositor brasileiro.

sexta-feira, 25 de março de 2016

No mar, aprendi, Vilfredo Schürmann




"No mar, aprendi que não podemos mudar a direção dos ventos, mas podemos regular as velas. Viver um sonho é realizar a felicidade."
 Vilfredo Schürmann
 Economista, palestrante e capitão do veleiro Aysso da família Schürmann, que deu a volta ao mundo duas vezes, de 1984 a 1994 e de 1997 a 2000. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

A vida não é a festa, Fernando Aramburu

La Valse, Camille Claudel



"A vida não é a festa que havíamos imaginado, mas já que estamos aqui vamos bailar."

Fernando Aramburu
Poeta, escritor e ensaísta espanhol

quarta-feira, 23 de março de 2016

terça-feira, 22 de março de 2016

O universo e a natureza, Leonardo Boff





"O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam."
Leonardo Boff
Teólogo, Filósofo e Ecologista

Homenagem ao Dia Mundial da Água

segunda-feira, 21 de março de 2016

domingo, 20 de março de 2016

A felicidade, Vinícius de Moraes e Tom Jobim




"A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor..."

Vinícius de Moraes e Tom Jobim


Fonte: Trecho da música: A Felicidade


Assista ao vídeo também:





sábado, 19 de março de 2016

Nós somos como uma árvore, Thich Nhat Hanh




"Nós somos como uma árvore durante uma tempestade. Se você olhar para o topo de uma árvore, você poderá ter a impressão de que a árvore pode ser destruída ou que os ramos podem ser quebrados a qualquer momento, mas se você direcionar sua atenção para o tronco da árvore e tornar-se consciente de que a árvore é profundamente enraizada no solo, então você verá a solidez da árvore. A mente é o topo da árvore, por isso não permaneça ali; traga a sua consciência até o tronco. O abdômen é o tronco, então prenda-se nele, pratique a respiração consciente, profunda, e depois disto a emoção vai passar. Quando você tiver sobrevivido a uma emoção, você saberá que da próxima vez que uma forte emoção surgir, você vai sobreviver novamente. Mas não espere pela próxima emoção forte para praticar. É importante que você pratique diariamente a respiração profunda e consciente." 
Thich Nhat Hanh

sexta-feira, 18 de março de 2016

quarta-feira, 16 de março de 2016

terça-feira, 15 de março de 2016

segunda-feira, 14 de março de 2016

Por um mundo, Rosa Luxemburgo




"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. 
Rosa Luxemburgo

domingo, 13 de março de 2016

sábado, 12 de março de 2016

Palavras gentis, Madre Teresa de Calcutá



"Palavras gentis podem ser curtas e fáceis de falar, mas os seus ecos são efetivamente infinitos."
Madre Teresa de Calcutá

sexta-feira, 11 de março de 2016

Infinitos, Manoel de Barros




"A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos."
Manoel de Barros

quinta-feira, 10 de março de 2016

Cada dia, José Saramago





"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais."
José Saramago

quarta-feira, 9 de março de 2016

As grandes injustiças, Sêneca



"As grandes injustiças só podem ser combatidas com três coisas: o silêncio, a paciência e o tempo."
Sêneca

terça-feira, 8 de março de 2016

Não é a altura, Martha Medeiros



"Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade, sem tamanho..."
Martha Medeiros

HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

segunda-feira, 7 de março de 2016

No amor, Sri Sri Ravi Shankar




"No amor, até mesmo os objetos são elevados para a vida. Pedras e árvores falam com você - o Sol, a Lua, toda a criação se torna viva. Quando não há amor, até mesmo as pessoas se tornam objetos." 
Sri Sri Ravi Shankar

domingo, 6 de março de 2016

Ode ao dia feliz, Pablo Neruda





Desta vez deixa-me
ser feliz,
nada aconteceu com ninguém,
não estou em lugar nenhum,
acontece somente
que sou feliz
pelos quatro costados
do coração, andando,
dormindo ou escrevendo.
O que é que eu posso fazer, sou
feliz.
Sou mais incontável
que o pasto
nas pradarias,
sinto a pele como uma árvore rugosa,
e água por baixo,
os pássaros acima,
o mar como um anel
na minha cintura,
feita de pão e pedra a terra
O ar canta como uma guitarra.
Tu ao meu lado na areia
és areia,
cantas e és canto,
o mundo
é hoje minha alma,
canto e areia,
o mundo
hoje é tua boca,
deixa-me
na tua boca e na areia
ser feliz,
ser feliz porque sim, porque respiro
e porque respiras,
ser feliz porque toco
teu joelho
e é como se tocasse
a pele azul do céu
e seu frescor.
Hoje deixa-me
só a mim
ser feliz,
com todos ou sem todos,
ser feliz
com o pasto
e a areia,
ser feliz
com o ar e a terra,
ser feliz,
contigo, com tua boca,
ser feliz.
Pablo Neruda

Tradução Jorge Pontual


Original

Oda al día feliz


ESTA vez dejadme

ser feliz,
nada ha pasado a nadie,
no estoy en parte alguna,
sucede solamente
que soy feliz
por los cuatro costados
del corazón, andando,
durmiendo o escribiendo.
Qué voy a hacerle, soy
feliz.
Soy más innumerable
que el pasto
en las praderas,
siento la piel como un árbol rugoso
y el agua abajo,
los pájaros arriba,
el mar como un anillo
en mi cintura,
hecha de pan y piedra la tierra
el aire canta como una guitarra.

Tú a mi lado en la arena

eres arena,
tú cantas y eres canto,
el mundo
es hoy mi alma,
canto y arena,
el mundo
es hoy tu boca,
dejadme
en tu boca y en la arena
ser feliz,
ser feliz porque si, porque respiro
y porque tú respiras,
ser feliz porque toco
tu rodilla
y es como si tocara
la piel azul del cielo
y su frescura.

Hoy dejadme

a mí solo
ser feliz,
con todos o sin todos,
ser feliz
con el pasto
y la arena,
ser feliz
con el aire y la tierra,
ser feliz,
contigo, con tu boca,
ser feliz.

Pablo Neruda

sábado, 5 de março de 2016

Sonho, Mia Couto



"O que faz andar a estrada é o sonho.
É o sonho que deve nos mover como seres humanos."
Mia Couto

sexta-feira, 4 de março de 2016

Se cada um cultivar, Lya Luft



Se cada um cultivar afeto,
beleza e lealdade
em seu ambiente,
por pequeno que seja,
isso há de espalhar
claridade no mundo.
Lya Luft

quinta-feira, 3 de março de 2016

A única atitude digna, Fernando Pessoa




"A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é invejável que é preciso tê-la."
Fernando Pessoa

quarta-feira, 2 de março de 2016

Tudo que um sonho precisa, Roberto Shinyashiki



"Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado."
Roberto Shinyashiki

terça-feira, 1 de março de 2016

Gorjeios, Manoel de Barros




Gorjeio é mais bonito do que canto porque nele se inclui a sedução.
É quando a pássara está enamorada que ela gorjeia.
Ela se enfeita e bota novos meneios na voz.
Seria como perfumar-se a moça para ver o namorado.
É por isso que as árvores ficam loucas se estão gorjeadas.
É por isso que as árvores deliram.
Sob o efeito da sedução da pássara as árvores deliram.
E se orgulham de terem sido escolhidas para o concerto.
As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.
Manoel de Barros

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