domingo, 30 de novembro de 2014

Equilíbrio, Ariano Suassuna


"Existem dois hemisférios na alma humana, o hemisfério rei e o hemisfério palhaço.
No hemisfério rei eu coloco tudo o que há de mais elevado e nobre.
O hemisfério palhaço equilibra o hemisfério rei com o riso."
Ariano Suassuna

sábado, 29 de novembro de 2014

Delicadezas, Lao-Tsé


"Delicadeza nas palavras gera confiança. Delicadeza no pensamento gera profundidade. Delicadeza no doar-se gera amor."
Lao-Tsé

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Toda manhã, Dalai Lama



“Toda manhã, pense quando acorda:
Eu estou vivo, 
Eu tenho uma preciosa vida humana, 
Eu não vou desperdiçá-la. 
Eu vou usar todas as minhas energias para me desenvolver, 
Para expandir o meu coração para os outros, 
Para alcançar a iluminação para o benefício de todos os seres.
Eu não vou ficar com raiva, Ou pensar mal de outros.
Vou beneficiar os outros, tanto quanto eu posso.”
Dalai Lama

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Em qualquer parte da Terra, Cora Coralina



"Em qualquer parte da Terra
um homem estará sempre plantando,
recriando a Vida.
Recomeçando o Mundo."
Cora Coralina

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

A vida, Oscar Niemeyer



"A vida é aproveitar os momentos de tranquilidade, e rir um pouco. O resto tem que ser aguentado, os altos e os baixos, é preciso aguentar. A vida é um sopro."

Oscar Niemeyer

Oscar Ribeiro Teomar de Almeida Niemeyer Soares Filho (1907 - 2012) maior arquiteto brasileiro,  já foi eleito o 9º; maior gênio e um dos nomes mais importantes da arquitetura moderna mundial.

sábado, 22 de novembro de 2014

Felicidade, Hermann Hesse


"O ser humano  foi criado com uma capacidade de alegrar-se com as coisas mesmo que não lhe sejam úteis, com um órgão reservado para apreciar o que é belo."
Hermann Hesse

Hermann Hesse (1877 - 1962) foi um escritor alemão, que em 1923 naturalizou-se suíço. 
Em 1946 recebeu o Prêmio Goethe e, passados alguns meses, o Nobel de Literatura.


In: Felicidade - Hermann Hesse. Editora Record 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Eu ainda levanto, Maya Angelou



Você me relega ao passado,
e pode mentir um tanto,
pode me jogar na lama,
como poeira, eu levanto.

Minha petulância dói?
Tristinho você se cala?
Ando como se tivesse
Petróleo na minha sala.
Como a lua e como o sol,
Como a maré por encanto,
Como a esperança que nasce,
Eu levanto.

Você quer me ver caído,
Cabeça baixa, quebranto,
Ombros moles como um choro,
Alquebrado pelo pranto?
Minha altivez o ofende?
Não me leve tão a mal,
Porque eu rio por ter minas
De ouro no meu quintal.

Vem me ferir com palavras,
O seu olhar me cortando,
Vem me matar com seu ódio,
Mas como o ar, eu levanto.

Meu desejo o transtorna?
E lhe surpreende tanto
Que eu dance com diamantes
Entre as coxas que eu levanto?
Dos barracões da História,
Eu levanto

De um passado que é só dor
Eu levanto
Sou um oceano negro, de pé,
Subindo e transbordando na maré.
Deixando pra trás as noites de medo
Eu levanto

Na clara manhã, ainda bem cedo,
Eu levanto
Os dons dos meus ancestrais alinhavo,
Sou o sonho e a esperança do escravo.
Eu levanto
Eu levanto
Eu levanto.
Maya Angelou

Tradução Jorge Pontual

Maya Angelou, pseudônimo de Marguerite Ann Johnson foi uma escritora e poeta dos Estados Unidos. (4 de abril de 1928, St. Louis, Missouri - 28 de maio de 2014, Winston-Salem, Carolina do Norte). Ela era ativista por direitos civis e foi condecorada por Obama em 2010.  A escritora foi ícone da literatura norte americana. Também era conhecida como ativista pela igualdade racial, ela trabalhou com Martin Luther King e Malcom X, informa seu perfil no site Poetry Foundation. 
Admirada por diversos músicos, Maya leu um poema chamado "We had him" no funeral de Michael Jackson, em 2009. Ela também influenciou cantores como Steven Tyler, Fiona Apple e Kanye West. A apresentadora Oprah Winfrey considerava Maya sua mentora. Maya Angelou nasceu em St. Louis, Missouri, nos EUA. Ela também trabalhou como cantora, dançarina, atriz, dramaturga e compositora. A artista ganhou o Grammy e outros prêmios em diversas áreas artísticas. Ela teve uma infância pobre, na época de alta segregação racial nos EUA. Ainda aos 17 anos, ela se formou na escola e teve um filho, Guy. Nesta época, começou a trabalhar e foi a primeira motorista negra em San Francisco, segundo o Poetry Foundation.
Como escritora, sua obra tem forte marca autobiográfica. Maya foi aclamada já em seu primeiro livro, a autobiografia "I know why the caged bird sings" (1969), que fez dela uma das primeiras escritoras negras a ter um best-seller nos Estados Unidos.
Na obra, ela se lembra de que, quando tinha apenas sete anos de idade, foi estuprada pelo namorado da mãe. O homem acabou sendo morto pelos tios de Maya, que se sentiu responsável pelo desfecho do episódio e passou os próximos cinco anos sem falar qualquer palavra.
Maya Angelou fez parte do comitê de dois presidentes dos Estados Unidos: Gerald Ford em 1975 e Jimmy Carter em 1977. Em 2000, ela recebeu a Medalha Nacional das Artes do então presidente do país, Bill Clinton. Em 2010, foi recebeu, das mãos do presidente dos EUA, Barack Obama, a mais alta condecoração civil americana, a "Presidential Medal of Freedom".
Em seu discurso na cerimônia, Obama afirmou: "Com sua poesia ascendente, sua prosa elevada e seu domínio de diversas formas de arte, a doutora Angelou falou à consciência da nossa nação. Suas palavras comoventes nos ensinaram como alcançar [o que queremos] mesmo em meio ao separatismo e honraram a beleza de nosso mundo".
No início de sua fala, Obama lembrou-se da história trágica de Maya e de como a autora foi uma influência em sua família. "Quando era uma garotinha,  Marguerite Ann Johnson sofreu trauma e abuso, que a levaram a  ficar muda", afirmou. "Mas, como performer, e finalmente como escritora, poeta, Maya Angelou encontrou a sua voz própria. É uma voz que falou a milhões, incluindo minha mãe, e esse é o motivo pelo qual minha irmã recebeu o nome de Maya."


Original Poem

Still I Rise
Maya Angelou, 1928 - 2014

You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I’ll rise.

Does my sassiness upset you?
Why are you beset with gloom?
‘Cause I walk like I’ve got oil wells
Pumping in my living room.

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I’ll rise.

Did you want to see me broken?
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops,
Weakened by my soulful cries?

Does my haughtiness offend you?
Don’t you take it awful hard
‘Cause I laugh like I’ve got gold mines
Diggin’ in my own backyard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I’ll rise.

Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I’ve got diamonds
At the meeting of my thighs?

Out of the huts of history’s shame
I rise
Up from a past that’s rooted in pain
I rise
I’m a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.

Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that’s wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.


From And Still I Rise by Maya Angelou. Copyright © 1978 by Maya Angelou. Reprinted by permission of Random House, Inc.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Não sou descendente de escravos, Makota Valdina


"Não sou descendente de escravos. Eu descendo de seres humanos que foram escravizados."
Makota Valdina

    Homenagem ao dia da Consciência Negra no Brasil

Valdina Pinto de Oliveira, nascida em Salvador em 1943. É professora aposentada da rede pública municipal, educadora, ativista política e membro do Conselho de Cultura da Bahia. Valdina Pinto ocupa o cargo de Makota, assessora da Nengwa Nkisi, Mãe de Santo do Tanuri Junsara, Terreiro de Candomblé Angola, em Salvador.

Nascida, criada e sempre moradora do Engenho Velho da Federação, bairro de Salvador onde se registra a maior concentração de Terreiros de Candomblé, ela é reconhecida como educadora, religiosa, ambientalista e militante negra. No ano de 2005, foi proclamada “Mestra de Saberes” pela Prefeitura Municipal de Salvador. 

Durante os mais de cinquenta anos de ensinamentos e atividades em prol da preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro, Makota Valdina recebeu diversas condecorações como o Troféu Clementina de Jesus (UNEGRO), Troféu Ujaama, Medalha Maria Quitéria e Mestra Popular do Saber.

Foi lançado em 2013, “Meu Caminho, meu Viver” contra trajetória da professora e militante. Fotos e registros antigos motivaram Makota Valdina a escrever a obra. No livro, ela conta sua história, desde a infância vivida no bairro até os dias de hoje. Makota é reconhecida pela constante luta pelos direitos das mulheres, contra o racismo e a intolerância religiosa, pela igualdade de direitos e por uma sociedade sem preconceitos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Simplicidade, Padre Fábio de Melo


"Simplicidade é um conceito que nos remete ao estado mais puro da realidade. A semente é simples porque não se perde na tentativa de ser outra coisa...É o que é. Não desperdiça seu tempo querendo ser flor antes da hora. Cumpre o ritual de existir, compreendendo-se em cada etapa." 

Padre Fábio de Melo 


Padre Fábio de Melo (1971) Nascido em Formiga, MG. É um sacerdote católico, cantor, compositor, apresentador, poeta, escritor, professor, ligado a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Quem sabe improvisar, Baltasar Gracián



“Quem sabe improvisar [normalmente] não passa por apertos nem sofre com os contratempos. Alguns pensam demais e fazem tudo errado, enquanto outros fazem tudo certo sem pensar.”

Baltasar Gracián 

Baltasar Gracián y Morales (1601 - 1658) foi um importante prosador espanhol do século XVII ao lado de autores como Francisco de Quevedo e Miguel de Cervantes, além de teólogo e filósofo. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Árvore dos desejos, parábola hindu


“Uma vez um homem estava viajando e, acidentalmente, entrou no paraíso”. No conceito indiano de paraíso existem árvores-dos-desejos. Você simplesmente senta debaixo dela, manifesta seu desejo e imediatamente ele é realizado – não há intervalo entre o desejo e sua realização.
O homem estava cansado, e pegou no sono sob a árvore-dos-desejos. Quando despertou estava com muita fome, então disse: “Estou com tanta fome, desejaria poder conseguir alguma comida de algum lugar”. Imediatamente apareceu comida vinda do nada – simplesmente uma deliciosa comida flutuando no ar.
Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde a comida viera – quando se está com fome, não se é filósofo. Começou a comer imediatamente, a comida era muito deliciosa. Depois, a fome tendo desaparecido, olhou à sua volta. Agora estava satisfeito.
Outro pensamento surgiu em sua mente: “Se ao menos pudesse conseguir algo para beber…”. E como não há proibições no paraíso, imediatamente apareceu um excelente vinho. Bebendo o vinho relaxadamente na brisa fresca do paraíso, sob a sombra da árvore, começou a pensar: “O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem espíritos ao redor que estão fazendo truques comigo?”
E ele começou a tremer e um pensamento surgiu em sua mente: “Agora vou ser assassinado, com certeza….” E ele então foi prontamente assassinado. Para reflexão: temos que vigiar permanentemente nossos pensamentos, porque eles podem nos proporcionar o prazer ou a perdição.

Seu “paraíso” só depende de VOCÊ.

Parábola hindu

domingo, 16 de novembro de 2014

É nos teus olhos, Nuno Júdice



"É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar."

Nuno Júdice

Nuno Júdice (1949) é um ensaísta, poeta, ficcionista e professor universitário português. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa e obteve o grau de Doutor pela Universidade Nova, onde é Professor Catedrático, apresentando, em 1989, uma dissertação sobre Literatura Medieval. Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal e Diretor do Instituto Camões em Paris.

sábado, 15 de novembro de 2014

Política, Platão


"O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior."
Platão



Homenagem ao dia da 
Proclamação da República do Brasil

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Transver o mundo, Manoel de Barros



"O olho vê,
a lembrança revê,
a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo."
Manoel de Barros

Manoel Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá, 19 de dezembro de 1916 - Campo Grande, 13 de novembro de 2014) foi um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao pós- Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas europeias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros. Sua obra mais conhecida é o "Livro sobre Nada" de 1996.

Manoel de Barros virou passarinho em 13/11/2014.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dai-me alegria, Mário Quintana



"Dai-me a alegria
Do poema de cada dia.
E que ao longo do caminho
Às almas eu distribua
Minha porção de poesia."
Mário Quintana

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A cada dia nasce uma nova história, Eduardo Galeano



“A cada dia nasce uma nova história. Somos feitos de átomos, dizem os cientistas, mas um passarinho me contou que também somos feitos de histórias”. 

Eduardo Galeano

In: Os filhos dos dias (2012)

Eduardo Hughes Galeano é um jornalista e escritor uruguaio (3 de setembro 1940, Montevidéo). É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História. 
Uma curiosidade: é o próprio Galeano quem faz os desenhos que ilustram o livro. Não porque ele se acha talentoso, mas porque reivindica para si o direito de sentir prazer desenhando seus próprios livros.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Não tenhas medo, Miguel Torga


"Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz..."

Miguel Torga

Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha, (1907 - 1995) foi um dos mais influentes poetas e escritores portugueses do século XX. Destacou-se como poeta, contista, memorialista e médico, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios. 
Em 1934, aos 27 anos, Adolfo Correia Rocha cria o pseudónimo "Miguel" e "Torga". Miguel, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. Já Torga é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente retilíneo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

domingo, 9 de novembro de 2014

sábado, 8 de novembro de 2014

Tarefa de viver, Ariano Suassuna


"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."
Ariano Suassuna 

Homenagem Dia FELIZ

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Motivo, Cecília Meireles


“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo
– mais nada.” 

Cecília Meireles

In: Motivo

HOMENAGEM A 113º aniversário de Cecília Meireles

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cultura, Ariano Suassuna



"Não tenho nada contra ninguém. O que eu quero é fortalecer a nossa cultura, porque aí qualquer coisa que nos venha de fora, em vez de ser influência que nos esmaga, que nos descaracteriza, que nos corrompe, passa a ser uma incorporação que nos enriquece."

Ariano Suassuna


HOMENAGEM AO DIA NACIONAL DA CULTURA

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A maior riqueza do homem, Manoel de Barros



A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou – eu não aceito.
Não aguento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.

Manoel de Barros

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Alegria, Bliss Carman



“Imponha-me uma tarefa na qual eu possa colocar algo do meu mais íntimo ser, e isso não será mais uma obrigação; isso é alegria, isso é arte.” 

Bliss Carman
Poeta Canadense



domingo, 2 de novembro de 2014

O que a memória amou, Adélia Prado


 Eternamente Arno e a inseparável Tutti

"O que a memória amou fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível.” 
Adélia Prado

Homenagem ao dia de Finados
Parentes e Amigos

sábado, 1 de novembro de 2014

Eu preciso de música, Elizabeth Bishop


Eu preciso de música que flua
Por meus dedos inquietos e sensíveis,
Por meus lábios trêmulos, irascíveis,
Com melodia, lenta, clara e crua.
Ah, a doce ginga que continua,
De alguma canção que afasta o desgosto,
Uma canção como água no meu rosto,
Que me molha inteira, lavada e nua!

Há um feitiço que é da melodia:
Magia do sossego, respirar 
Calmo, que mergulha no fim do dia
Pela mansidão profunda do mar,
E flutua pra sempre no abandono,
No regaço do ritmo e do sono.

Elizabeth Bishop

Tradução de Jorge Pontual


Elizabeth Bishop nasceu em Massachusetts, em 8 de fevereiro de 1911 - 6 de outubro de 1979). Foi uma escritora americana, considerada um das mais importantes poetisas do século XX a escrever na língua inglesa. Em 1952, depois de uma viagem pela costa brasileira, Elizabeth encantou-se pelas montanhas de Petrópolis e lá permaneceu por longos quinze anos. Durante esse período, escreveu numerosos registros e poemas.
Enquanto vivia no Brasil, em 1956 recebeu o prêmio Pulitzer pelo livro «North & South — A Cold Spring». Receberia mais tarde o Prêmio Nacional do Livro (the National Book Award) e o prêmio nacional do círculo dos Críticos literários (the National Book Critics Circle Award) assim como duas bolsas Guggenheim e uma da Ingram Merrill Foundation. Tornou-se poeta residente na Universidade de Harvard em 1969. Começou em 1971 uma amizade íntima com Alice Methfessel que duraria até sua morte em 1979.


Em 1976, foi a primeira mulher a receber o International Neustadt Prize for Literature (prêmio internacional Neustadt de Literatura) e continua sendo o único americano a recebê-lo.


Filme Flores Raras

O filme é baseado na história de amor real entre a poetisa americana Elizabeth Bishop e arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. Ambientado em Petrópolis, dos anos de 1950 e 1960, a história coincide com o surgimento da Bossa Nova e a construção e inauguração da capital Brasília. O filme trata a história dessas duas mulheres e suas trajetórias.



Original Poem

Sonnet
I am in need of music that would flow
Over my fretful, feeling finger-tips,
Over my bitter-tainted, trembling lips,
With melody, deep, clear, and liquid-slow.
Oh, for the healing swaying, old and low,
Of some song sung to rest the tired dead,
A song to fall like water on my head,
And over quivering limbs, dream flushed to glow!

There is a magic made by melody:
A spell of rest, and quiet breath, and cool
Heart, that sinks through fading colors deep
To the subaqueous stillness of the sea,
And floats forever in a moon-green pool,
Held in the arms of rhythm and of sleep. 

Elizabeth Bishop

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