segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Pintura, Michel Seuphor

Michel Seuphor 


"Tinha que existir uma pintura totalmente livre da dependência da figura – o objeto – que, como a música, não ilustra coisa alguma, não conta uma história e não lança um mito. Tal pintura contenta-se em evocar os reinos incomunicáveis do espírito, onde o sonho se torna pensamento, onde o traço se torna existência." 

Michel Seuphor 

Fernand Berckelaers (10 de março de 1901 Antuérpia - 12 Fevereiro de 1999, Paris), pseudônimo Michel Seuphor (anagrama de Orfeu), foi um pintor belga.

domingo, 29 de novembro de 2015

A alegria e o amor, Goethe

Pintura de Raymond Peynet 


"A alegria e o amor são as duas grandes asas para os grandes feitos."
Goethe

sábado, 28 de novembro de 2015

França, Terror e Intocáveis, Leandro Karnal



A França é um modelo de civilização com dificuldades em encontrar uma crença coletiva e um fio condutor como no passado. O símbolo disto é o filme “Intocáveis” (Intouchables). Um francês rico e culto, mas tetraplégico, incapaz de se alimentar sozinho. Um africano cheio de energia, mas incapaz de saber o que é um ovo Fabergé. O africano é sinceridade e corpo; o francês é civilização e mente. O francês não pode dispensar o corpo do africano e seu trabalho, mas tem dificuldade em trabalhar a alteridade. Na visão otimista do filme, a junção dos dois é benéfica para ambos. Ataques como o ocorrido ao Charlie Hebdo e este recente, forçam a sociedade francesa a pensar seus valores. Sartre disse que a invenção do judeu deve muito ao discurso antissemita. Provavelmente, a invenção do radical é algo gestado na civilização do laicismo ocidental. O outro deve ajudar a definir o eu. Sinal do esgotamento: franceses não fazem mais filhos. Filhos são aposta no futuro e na crença de que sua sociedade deve viver. Abrir mão dos filhos é parte deste processo. Como já foi dito, demograficamente o futuro está nas mãos dos imigrantes. Como no poema de Kafávis, À Espera dos Bárbaros, os ataques podem dizer para os franceses quem eles são, no que acreditam, para onde desejam ir. A sociedade francesa não está conseguindo fazer o que os EUA fizeram com milhões de imigrantes: tornar o “sonho americano” parte do imaginário de todos. O custo de identidade a partir dos bárbaros é a fila de cadáveres nas ruas de Paris porque, tragicamente, o fundamentalista também está construindo sua identidade a partir da França.

Leandro Karnal

Leandro Karnal (São Leopoldo - RS, 1º de fevereiro de 1963)  é um historiador brasileiro, atualmente professor da UNICAMP na área de História da América. Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo, tendo colaborado ainda na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo, Karnal tem publicações sobre o ensino de História, bem como sobre História da América e História das Religiões.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O açúcar, Ferreira Gullar

Ferreira Gullar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Ferreira Gullar

In: Dentro da Noite Veloz, 1975.


Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, 10 de setembro de 1930) é um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Bocó, Manoel de Barros



                                                              Manoel de Barros

“Quando o moço estava a catar caracóis e pedrinhas
na beira do rio até duas horas da tarde, ali
também Nhá Velina Cuê estava. A velha paraguaia
de ver aquele moço a catar caracóis na beira do
rio até duas horas da tarde, balançou a cabeça
de um lado para o outro ao gesto de quem estivesse
com pena do moço, e disse a palavra bocó. O moço
ouviu a palavra bocó e foi para casa correndo
a ver nos seus trinta e dois dicionários que coisa
era ser bocó. Achou cerca de nove expressões que
sugeriam símiles a tonto. E se riu de gostar. E
separou para ele os nove símiles. Tais: Bocó é
sempre alguém acrescentado de criança. Bocó é
uma exceção de árvore. Bocó é um que gosta de
conversar bobagens profundas com as águas. Bocó
é aquele que fala sempre com sotaque das suas
origens. É sempre alguém obscuro de mosca. É
alguém que constrói sua casa com pouco cisco.
É um que descobriu que as tardes fazem parte de
haver beleza nos pássaros. Bocó é aquele que
olhando para o chão enxerga um verme sendo-o.
Bocó é uma espécie de sânie com alvoradas. Foi
o que o moço colheu em seus trinta e dois
dicionários. E ele se estimou”.
Manoel de Barros

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Minha avó dizia, Fabrício Carpinejar

Iris Scuccato Ilustração



"Minha avó dizia: para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar." 

Fabrício Carpinejar

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A lebre e o cão de caça, Esopo


Conta a fábula que, certa vez, um cão de caça obrigou uma lebre a sair de sua toca e, após uma longa perseguição, parou a caçada de repente. Então, um pastor de cabras, vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:
― Aquele pequeno animal corre muito melhor que você.
E o cão respondeu:
― Você não vê a diferença que existe entre nós? Eu estava correndo apenas para conseguir um jantar, mas a lebre corria para salvar sua vida.

Reflexão: O motivo pelo qual realizamos uma tarefa é o que vai determinar sua qualidade final.

Fábula de Esopo

domingo, 22 de novembro de 2015

Felicidade, Osho



"Qualquer coisa que você fizer com felicidade será uma prece; seu trabalho se tornará um culto, a sua própria respiração terá um esplendor, uma graça." 
Osho


sábado, 21 de novembro de 2015

Mundo mil-folhas, Leandro Karnal

Foto de Leandro Karnal


Há anos eu trabalhei com um texto de antropologia que falava das múltiplas influências culturais no mundo. Lembrei-me do estilo do texto hoje. Estou no Inle Lake, estado de Shan, Myanmar. Ao meu lado, um grupo ruidoso de adolescentes de muitas origens, todos parte de uma escola internacional. Da janela vejo o lago, onde os pescadores remam com o pé. Há tomates nos canteiros, produto da América, plantado aqui como entre astecas, em chinampas, ou seja, áreas flutuantes de cultivo. Tomo café, produto africano, produzido no Brasil, numa máquina italiana , em xícara de porcelana chinesa. Recuso açúcar, que veio aqui do lado, da costa indiana de Bengala e foi levado por portugueses para o Brasil. Falo com os jovens numa língua anglo-saxã que foi para a Inglaterra fundindo tradições germânicas e latinas. Um deles toma chocolate, produto maia. O mundo é um mil-folhas de camadas sobrepostas e interpenetráveis. Fundamentalistas acham que sua folha é a única válida.
Leandro Karnal

Leandro Karnal (São Leopoldo - RS, 1º de fevereiro de 1963)  é um historiador brasileiro, atualmente professor da UNICAMP na área de História da América. Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo, tendo colaborado ainda na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo, Karnal tem publicações sobre o ensino de História, bem como sobre História da América e História das Religiões.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Preconceito, Rodolfo Pamplona Filho



Sou baiano,
Negro, 
Pobre
E Gay
Sou cigano
Feio,
Baixo e
Chinês
Nordestino ou 
Argentino
Mendigo ou
Indigente
Idoso ou
Menor Carente
Deficiente ou
Doente
Crente ou
Ateu
Árabe ou 
Judeu
Umbandista ou
Adventista
Testemunha ou
Kardecista
Migrante ou
Imigrante
Presidiário ou
Proletário
Refugiado ou
Desabrigado
Bêbado ou
Drogado
Alcóolatra ou
Viciado
Desempregado ou
Condenado
Sou muito mais que tudo isso...
Se, não na carne, no espírito
de solidariedade com aquele
que sofre, chora e morre
não pelo que faz ou fez,
mas pelo sentimento incontrolável
de quem não compreende...
Nem faz qualquer esforço para isso...
É preciso sentir na pele,
por vezes, literalmente,
para dimensionar a loucura
de julgar o outro
sem um dado objetivo
que justifique esta postura.
Não é fácil matar 
um leão por dia
e ser excluído pelo
grau de melanina
OU por quem você suspira
OU pela sua conta bancária
OU pela sua luta diária
OU de onde vai ou vem
OU de quem você crê no além...
Esqueça-me por um dia
ou – melhor! – definitivamente,
pois o meu maior defeito
é parecer diferente
aos olhos de quem esqueceu
qual é o sentido de ser gente...

Rodolfo Pamplona Filho



HOMENAGEM AO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Saiba, Arnaldo Antunes




Saiba,
Todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba:
Todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba,
Todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba,
Todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba,
Todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé

Saiba,
Todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você.

Arnaldo Antunes

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, ou simplesmente Arnaldo Antunes (São Paulo, 2 de setembro de 1960)  é um músico, poeta, compositor, ex-VJ e artista visual brasileiro.

Ouça também:







quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Lira Itabirana, Carlos Drummond de Andrade

‘Nilo brasileiro’. Vista aérea do Parque Florestal Estadual do Rio Doce, na região sudoeste de Minas Gerais, cortado pelo rio que foi completamente poluído em 05/11/2015*, ao receber rejeitos químicos da mineradora Samarco -  Ana Branco

I

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

II

Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

III

A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Carlos Drummond de Andrade


Carlos Drummond de Andrade quem antevê a tensão entre o rio e as mineradoras que o exploraram desde sempre no poema “Lira itabirana”, de 1984: “O Rio? É doce. A Vale? Amarga.”

Fonte: Jornal O Globo

* O Rio Doce foi completamente destruído pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Mariana, há dez dias (05/11/2015). Com o desastre, os rejeitos químicos da empresa inundaram seu leito, que já é considerado “morto” por autoridades ambientais do Ministério Público do Espírito Santo e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Minas Gerais.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Liberdade, Cecília Meireles


"Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser."
Cecília Meireles

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Vaidade, Florbela Espanca



Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho..

E não sou nada!..

Florbela Espanca

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de dezembro de 1930), batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo. Tem uma biblioteca com o seu nome em Matosinhos.


domingo, 15 de novembro de 2015

A política, Guimarães Rosa

Pintura de Vera Ferro

"A política é desumana, porque dá ao homem o mesmo valor que uma vírgula em uma conta. Eu não sou um homem político, justamente porque amo o homem. Deveríamos abolir a política."
Guimarães Rosa

HOMENAGEM AO DIA DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL (1889)

sábado, 14 de novembro de 2015

Definir o bem, Mário Vargas Llosa


"Na civilização do espetáculo 
o alienado é o rei e
o mal maior é definir o Bem."
Mario Vargas Llosa

Jorge Mario Pedro Vargas Llosa, marquês de Vargas Llosa, é um escritor, jornalista, ensaísta e político peruano, laureado com o Nobel de Literatura de 2010.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Os bons pensamentos, James Allen

 Karin Taylor

"Os bons pensamentos produzem bons frutos, os maus pensamentos produzem maus frutos... e o homem é seu próprio jardineiro." 
James Allen

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Não sei quantas almas tenho, Fernando Pessoa


Estátua em bronze de Fernando Pessoa, em Lisboa, 
em frente ao Café A Brasileira, no Chiado.


Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 
Nunca me vi nem acabei. 
De tanto ser, só tenho alma. 
Quem tem  alma não tem calma. 
Quem vê é só o que vê, 
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, 
Torno-me eles e não eu. 
Cada meu sonho ou desejo 
É do que nasce e não meu. 
Sou minha própria paisagem; 
Assisto à minha passagem, 
Diverso, móbil e só, 
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo 
Como páginas, meu ser. 
O que segue não prevendo, 
O que passou a esquecer. 
Noto à margem do que li 
O que julguei que senti. 
Releio e digo: "Fui  eu ?" 
Deus sabe, porque o escreveu. 

Fernando Pessoa

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Que bom levar a vida, Mark Twain

Gabi Murphy, girl with flowers

"Que bom levar a vida com leveza de forma que as rugas indiquem apenas onde sorrisos estiveram."
Mark Twain

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Exercício no.1, Hilda Hilst

Hilda Hilst


Se permitires
Traço nesta lousa
O que em mim se faz
E não repousa:
Uma Ideia de Deus.

Clara como Cousa
Se sobrepondo
A tudo que não ouso.

Clara como Cousa
Sob um feixe de luz
Num lúcido anteparo.

Se permitires ouso
Comparar o que penso
A Ouro e Aro
Na superfície clara
De um solário.

E te parece pouco
Tanta exatidão
Em quem não ousa?

Um Ideia de Deus
No meu peito se faz
E não repousa.

E o mais fundo de mim
Me diz apenas: Canta,
Porque à tua volta
É noite. O Ser descansa.
Ousa.

(1967)

Hilda Hilst

Hilda de Almeida Prado Hilst  (Jaú, 21 de abril de 1930 - Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

As palavras, Rubem Alves

Pintura de René Magritte

"As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos."
Rubem Alves

domingo, 8 de novembro de 2015

Lembranças, Carlos Drummond de Andrade



“A memória do paladar recompõe com precisão instantânea através daquilo que comemos, quando meninos o próprio menino que fomos. E com isso nos aquece e reconduz às lembranças mais queridas.” 
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 7 de novembro de 2015

Mundo interior, Mia Couto


"Que cada um de nós faça a sua parte
para que se dê um novo reencantamento do mundo,
a começar por nosso mundo interior."
Mia Couto

Mia Couto pseudônimo de António Emílio Leite Couto, 5 de julho de 1955 é biólogo e escritor moçambicano.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Colhe hoje, Pierre de Ronsard



"Vive sem esperar pelo dia que vem; 
Colhe hoje, desde já, colhe as rosas da vida."
Pierre de Ronsard 

In: Versos finais de "Sonnets pour Hélène"(1578)

Pierre de Ronsard foi um poeta renascentista francês (século XVI) nascido no castelo de La Possonnière, condado de Vendôme, é o principal representante da La Pléiade, grupo de poetas cujos principais modelos foram os  líricos greco-romanos e italianos, de grande importância na renovação da literatura francesa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Meu lar, Bob Marley


"Meu lar é sempre onde estou, meu lar está na minha mente, meu lar são meus pensamentos, meu lar é pensar as coisas que eu penso. Esse é meu lar. Meu lar não é um lugar material por aí... meu lar está na minha mente."
Bob Marley

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Hoje, Sri Chinmoy


"Ontem eu era esperto e queria mudar o mundo.
Hoje, tento ser sábio e estou mudando a mim mesmo."
Sri Chinmoy

terça-feira, 3 de novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Chá & fantasmas, Luiz Alca de Sant´Anna



Gosto muito do poeta gaúcho Mário Quintana, uma das mais belas expressões poéticas do cotidiano, sem elaborações ou rebuscados. Com a passagem dos anos, foi entendendo melhor, é claro, algumas considerações importantes feitas sobre os nossos encontros com o amadurecimento. Como esta “Antes, todos os caminhos iam; agora, todos os caminhos vêm. A casa é acolhedora, os livros poucos. Eu mesmo preparo o chá para os fantasmas”. Só quem mora sozinho, só quem vive rodeado, sem apegos materiais, mas com imenso carinho, de seus objetos queridos e que dizem tanto, só quem guarda seus livros preferidos como tesouro precioso, é capaz de entender o que o poeta afirma. Tanto quanto diminui a ousada da ida e preserva os caminhos de volta. Mas o mais forte é chá para os fantasmas que me pega visceralmente. Também já tive medo de viver só, pavor de ouvir falar em manifestações de espíritos, descrença sobre os sinais. Admirava-me ver pessoas perderem pais e parceiros que habitavam a mesma casa e(ou) partilhavam a mesma cama e no dia seguinte, voltar para o mesmo local. “Será que não tem medo ou fica impressionada?”, julgava eu naquele estágio jovem de quem ainda não viveu o principal, embora se ache o máximo. Até que aconteceu comigo em duas grandes perdas. Depois de muitos altos e baixos, da saudade que permanece intacta, de conviver com a amargura da ausência que se alterna sem respeito ao calendário e ao linear, hoje também já preparo o chá para os meus fantasmas com o maior carinho, todo o cuidado e em vez de ter medo, curtindo minuto a minuto. Não se trata, de jeito nenhum, como poderão julgar alguns leitores desavisados, de morbidez. Muito pelo contrário. Convivo com as minhas lembranças e imagens do passado, com os meus espectros, numa boa. De vez em quando a memória navega, voltam as cenas bem humoradas, as trocas de afeto, os atos de amor. É quando rio, converso intimamente, até discuto certas dúvidas e inseguranças. Não raro, rodo pela casa, olho os retratos, os aprecio, dou um sorriso, uma piscada cúmplice. Por outro lado, já penso na minha existência como um todo, louvando tanto a infância e a juventude quanto a fase adulta, a maturação e também o que virá com o envelhecimento, sem me assustar ou fingir que comigo não acontecerá. Assumo a minha jornada como um todo, envolvo-me com os queridos que se foram e os santos ou mestres de devoção, não mais temo as sombras por trás da cortina, não me choca o silêncio e nem o estalar da madeira na quase ausência dos sons. Penso na morte como o evento natural que um dia, chegará, sem deseja-la e nem fugir da parca, embora louvando a vida e o privilégio de estar aqui. Tranquilamente, como Quintana, já preparo o chá para os meus fantasmas.
(05/08/2008) Republicado no Jornal A Tribuna em 08/09/2015.

Luiz Alca de Sant´Anna

HOMENAGEM AO DIA DE FINADOS

Luiz Gonzaga Alca de Sant´Anna (12/05/1947 - 01/09/2015)

Alca nasceu em Santos e era formado em Direito e Filosofia. Começou sua carreira em A Tribuna em 1978, na Editoria de Variedades, onde permaneceu até 1982. A partir deste ano, passou a escrever crônicas para o jornal. 
Há 15 anos, convidado pela então editora-chefe do jornal, Miriam Guedes, com quem já havia trabalhado na primeira passagem por A Tribuna, assumiu a coluna social no lugar de Thereza Bueno Wolf, que havia se aposentado. Na TV Tribuna, também atuava semanalmente no programa Viver Bem, exibido aos sábados.   
Na área literária, tem cinco livros publicados. O mais recente, Outra Face, lançado em 2008, reúne 100 crônicas, algumas já publicadas em A Tribuna. Escreveu ainda Começa Assim (1979), Quem quiser que conte outra (1982), Mudança de Conversa (1985) e Eu e minha Circunstância (1989). 

Alca faleceu aos 68 anos de infarto no dia 01/09/2015.

domingo, 1 de novembro de 2015

Fale com prudência, verdade, amor, Professor Hermógenes


"Fale com prudência, verdade, amor e firmeza. Que minha palavra faça florescer o bem na humanidade."
Professor Hermógenes

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