quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Amanhã, Brad Paisley

"Amanhã é a primeira folha em branco de um livro de 365 páginas. Escreva-o bem."
 Brad Paisley

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

domingo, 27 de dezembro de 2015

Saudades, João Guimarães Rosa

Carl Andrew Whitfield Art

"Não gosto desse passarinho. Não gosto de violão. Não gosto de nada que põe saudades na gente."
João Guimarães Rosa

sábado, 26 de dezembro de 2015

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Amor, Santo Agostinho



"Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."
Santo Agostinho

HOMENAGEM AO DIA DE NATAL

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Dai-me, força, São Francisco de Assis

Pintura de Gayan Tito*



"Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...
Dai-me resignação para aceitar o que não pode ser mudado...
Dai-me sabedoria para distinguir uma da outra."
São Francisco de Assis

São Francisco de Assis foi criador da Missa do Galo, ato religioso do dia de Natal. Segundo a história, São Francisco construiu o primeiro presépio para lembrar os fiéis do ambiente em que Jesus vivia. Foi na cidade de Greccio, na Itália, em 1224. Ele exibia o presépio à meia noite, exatamente na hora simbólica do nascimento. O ato era seguido de uma missa. Como os galos cantavam habitualmente às primeiras horas da madrugada e isso acontecia durante a solenidade, o povo deu a essa celebração o nome de "Missa do Galo".

Fonte: O Guia dos Curiosos, Marcelo Duarte


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Tarefa de viver, Ariano Suassuna

Arte de Gina Maldonado


"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte:
o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."
Ariano Suassuna

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Não existe exercício melhor, John Andrew Holmes

Arte de Lucy Campbell

"Não existe exercício melhor para o coração do que se inclinar e levantar pessoas."
John Andrew Holmes

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A máquina, Gandhi


"A máquina conquistou o homem. O homem se tornou a máquina. Funciona e não vive mais."
Mahatma Gandhi

domingo, 20 de dezembro de 2015

Meu ideal seria escrever, Rubem Braga

Rubem Braga


Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".
Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".
E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

Rubem Braga

In: A crônica acima foi extraída do livro "A traição das elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 91.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Hoje, Goethe


"Nada vale mais do que o dia de hoje. Você não pode reviver o ontem. O amanhã ainda está além do seu alcance."
Johann Goethe

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Canção na Plenitude, Lya Luft

Pájaros en la cabeza, Menchu Uroz


Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Lya Luft

In: O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Lidar com as diferenças, Wendell Berry


"Imagino que para lidar com as diferenças entre nós e as outras pessoas, temos que aprender compaixão, autocontrole, piedade, perdão, simpatia e amor – virtudes sem as quais nem nós, nem o mundo, podemos sobreviver."
Wendell Berry

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Lembrança, Vincent Van Gogh


Sunflowers 1887 Van Gogh

"Andei por esta terra durante trinta anos e, por gratidão, quero deixar alguma lembrança."

Vincent Van Gogh

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A Pintora, Adélia Prado


Adélia Prado


Hoje de tarde
pus uma cadeira no sol pra chupar tangerinas
e comecei a chorar,
até me lembrar de que podia
falar sem mediação com o próprio Deus
daquela coisa vermelho-sangue, roxo-frio, cinza.
Me agarrei aos seus pés:
Vós sabeis, Vós sabeis,
só Vós sabeis, só Vós.
O bagaço da laranja, suas sementes
me olhavam da casca em concha
na mão seca.
Não queria palavras pra rezar,
bastava-me ser um quadro
bem na frente de Deus
pra Ele olhar. 
Adélia Prado

Homenagem aos 80 anos.

Adélia Luzia Prado de Freitas, mais conhecida apenas como Adélia Prado (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935), é uma poetisa, professora, filósofa e contista brasileira ligada ao Modernismo.
Seus textos literários retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único.  Em 1976, enviou o manuscrito de Bagagem para Affonso Romano de Sant'Anna, que exercia na imprensa crítica literária assinando uma coluna no Jornal do Brasil. Admirado, acabou por repassar os manuscritos a Carlos Drummond de Andrade, que incentivou a publicação do livro pela Editora Imago em artigo do mesmo periódico.
Professora por formação, ela exerceu o magistério durante 24 anos, até que a carreira de escritora tornou-se a atividade central. Em termos de literatura brasileira, o surgimento da escritora representou a revalorização do feminino nas letras e da mulher como ser pensante, tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de mãe, esposa e dona-de-casa.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Possua um coração, Charles Dickens

Arte de Ilustris

"Possua um coração que nunca endurece, um temperamento que nunca pressiona, e um toque que nunca magoa."
Charles Dickens

sábado, 12 de dezembro de 2015

Pequenas felicidades, Cecília Meireles


"Quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Cecília Meireles

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Assim eu vejo a vida, Cora Coralina

Cora Coralina - Pintura de Ary Salles



"A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver."
Cora Coralina

Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade.
Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
O poema acima, inédito em livro, foi publicado pelo jornal "Folha de São Paulo" — caderno "Folha Ilustrada", edição de 04/07/2001.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Luís Vaz de Camões



"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía¹."
Luís de Camões Camões

¹ costumava


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Sem desistir, Geraldo Eustáquio de Souza



"Desistir... eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério;
é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, 
mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros,
mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça."
Geraldo Eustáquio de Souza

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Nesta vida, Paulo Leminski

Paulo Leminski



"Nesta vida,
pode-se aprender três coisas de uma criança:
estar sempre alegre,
nunca ficar inativo
e chorar com força por tudo o que se quer."
Paulo Leminski

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

sábado, 5 de dezembro de 2015

Semente, Mia Couto




"No início,
eu queria um instante.
A flor.

Depois,
nem a eternidade me bastava.
E desejava a vertigem
do incêndio partilhado.
O fruto.

Agora,
quero apenas
o que havia antes de haver vida.
A semente."

Mia Couto

Mia Couto, pseudônimo de Antônio Emílio Leite Couto, é um biólogo e escritor moçambicano.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A infância, Ediel



"A infância é uma fase tão maravilhosa que deveria ser dada aos adultos."
Ediel

Ediel Ribeirojornalista carioca cartunista 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Tempo, Arthur Schopenhauer


"As pessoas comum pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo."
Arthur Schopenhauer

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A vida, Clarice Lispector


"A vida é esse instante incontável, maior que o acontecimento em si."
Clarice Lispector

In: Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, p. 10.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Pintura, Michel Seuphor

Michel Seuphor 


"Tinha que existir uma pintura totalmente livre da dependência da figura – o objeto – que, como a música, não ilustra coisa alguma, não conta uma história e não lança um mito. Tal pintura contenta-se em evocar os reinos incomunicáveis do espírito, onde o sonho se torna pensamento, onde o traço se torna existência." 

Michel Seuphor 

Fernand Berckelaers (10 de março de 1901 Antuérpia - 12 Fevereiro de 1999, Paris), pseudônimo Michel Seuphor (anagrama de Orfeu), foi um pintor belga.

domingo, 29 de novembro de 2015

A alegria e o amor, Goethe

Pintura de Raymond Peynet 


"A alegria e o amor são as duas grandes asas para os grandes feitos."
Goethe

sábado, 28 de novembro de 2015

França, Terror e Intocáveis, Leandro Karnal



A França é um modelo de civilização com dificuldades em encontrar uma crença coletiva e um fio condutor como no passado. O símbolo disto é o filme “Intocáveis” (Intouchables). Um francês rico e culto, mas tetraplégico, incapaz de se alimentar sozinho. Um africano cheio de energia, mas incapaz de saber o que é um ovo Fabergé. O africano é sinceridade e corpo; o francês é civilização e mente. O francês não pode dispensar o corpo do africano e seu trabalho, mas tem dificuldade em trabalhar a alteridade. Na visão otimista do filme, a junção dos dois é benéfica para ambos. Ataques como o ocorrido ao Charlie Hebdo e este recente, forçam a sociedade francesa a pensar seus valores. Sartre disse que a invenção do judeu deve muito ao discurso antissemita. Provavelmente, a invenção do radical é algo gestado na civilização do laicismo ocidental. O outro deve ajudar a definir o eu. Sinal do esgotamento: franceses não fazem mais filhos. Filhos são aposta no futuro e na crença de que sua sociedade deve viver. Abrir mão dos filhos é parte deste processo. Como já foi dito, demograficamente o futuro está nas mãos dos imigrantes. Como no poema de Kafávis, À Espera dos Bárbaros, os ataques podem dizer para os franceses quem eles são, no que acreditam, para onde desejam ir. A sociedade francesa não está conseguindo fazer o que os EUA fizeram com milhões de imigrantes: tornar o “sonho americano” parte do imaginário de todos. O custo de identidade a partir dos bárbaros é a fila de cadáveres nas ruas de Paris porque, tragicamente, o fundamentalista também está construindo sua identidade a partir da França.

Leandro Karnal

Leandro Karnal (São Leopoldo - RS, 1º de fevereiro de 1963)  é um historiador brasileiro, atualmente professor da UNICAMP na área de História da América. Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo, tendo colaborado ainda na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo, Karnal tem publicações sobre o ensino de História, bem como sobre História da América e História das Religiões.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O açúcar, Ferreira Gullar

Ferreira Gullar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Ferreira Gullar

In: Dentro da Noite Veloz, 1975.


Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, 10 de setembro de 1930) é um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Bocó, Manoel de Barros



                                                              Manoel de Barros

“Quando o moço estava a catar caracóis e pedrinhas
na beira do rio até duas horas da tarde, ali
também Nhá Velina Cuê estava. A velha paraguaia
de ver aquele moço a catar caracóis na beira do
rio até duas horas da tarde, balançou a cabeça
de um lado para o outro ao gesto de quem estivesse
com pena do moço, e disse a palavra bocó. O moço
ouviu a palavra bocó e foi para casa correndo
a ver nos seus trinta e dois dicionários que coisa
era ser bocó. Achou cerca de nove expressões que
sugeriam símiles a tonto. E se riu de gostar. E
separou para ele os nove símiles. Tais: Bocó é
sempre alguém acrescentado de criança. Bocó é
uma exceção de árvore. Bocó é um que gosta de
conversar bobagens profundas com as águas. Bocó
é aquele que fala sempre com sotaque das suas
origens. É sempre alguém obscuro de mosca. É
alguém que constrói sua casa com pouco cisco.
É um que descobriu que as tardes fazem parte de
haver beleza nos pássaros. Bocó é aquele que
olhando para o chão enxerga um verme sendo-o.
Bocó é uma espécie de sânie com alvoradas. Foi
o que o moço colheu em seus trinta e dois
dicionários. E ele se estimou”.
Manoel de Barros

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Minha avó dizia, Fabrício Carpinejar

Iris Scuccato Ilustração



"Minha avó dizia: para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar." 

Fabrício Carpinejar

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A lebre e o cão de caça, Esopo


Conta a fábula que, certa vez, um cão de caça obrigou uma lebre a sair de sua toca e, após uma longa perseguição, parou a caçada de repente. Então, um pastor de cabras, vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:
― Aquele pequeno animal corre muito melhor que você.
E o cão respondeu:
― Você não vê a diferença que existe entre nós? Eu estava correndo apenas para conseguir um jantar, mas a lebre corria para salvar sua vida.

Reflexão: O motivo pelo qual realizamos uma tarefa é o que vai determinar sua qualidade final.

Fábula de Esopo

domingo, 22 de novembro de 2015

Felicidade, Osho



"Qualquer coisa que você fizer com felicidade será uma prece; seu trabalho se tornará um culto, a sua própria respiração terá um esplendor, uma graça." 
Osho


sábado, 21 de novembro de 2015

Mundo mil-folhas, Leandro Karnal

Foto de Leandro Karnal


Há anos eu trabalhei com um texto de antropologia que falava das múltiplas influências culturais no mundo. Lembrei-me do estilo do texto hoje. Estou no Inle Lake, estado de Shan, Myanmar. Ao meu lado, um grupo ruidoso de adolescentes de muitas origens, todos parte de uma escola internacional. Da janela vejo o lago, onde os pescadores remam com o pé. Há tomates nos canteiros, produto da América, plantado aqui como entre astecas, em chinampas, ou seja, áreas flutuantes de cultivo. Tomo café, produto africano, produzido no Brasil, numa máquina italiana , em xícara de porcelana chinesa. Recuso açúcar, que veio aqui do lado, da costa indiana de Bengala e foi levado por portugueses para o Brasil. Falo com os jovens numa língua anglo-saxã que foi para a Inglaterra fundindo tradições germânicas e latinas. Um deles toma chocolate, produto maia. O mundo é um mil-folhas de camadas sobrepostas e interpenetráveis. Fundamentalistas acham que sua folha é a única válida.
Leandro Karnal

Leandro Karnal (São Leopoldo - RS, 1º de fevereiro de 1963)  é um historiador brasileiro, atualmente professor da UNICAMP na área de História da América. Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo, tendo colaborado ainda na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo, Karnal tem publicações sobre o ensino de História, bem como sobre História da América e História das Religiões.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Preconceito, Rodolfo Pamplona Filho



Sou baiano,
Negro, 
Pobre
E Gay
Sou cigano
Feio,
Baixo e
Chinês
Nordestino ou 
Argentino
Mendigo ou
Indigente
Idoso ou
Menor Carente
Deficiente ou
Doente
Crente ou
Ateu
Árabe ou 
Judeu
Umbandista ou
Adventista
Testemunha ou
Kardecista
Migrante ou
Imigrante
Presidiário ou
Proletário
Refugiado ou
Desabrigado
Bêbado ou
Drogado
Alcóolatra ou
Viciado
Desempregado ou
Condenado
Sou muito mais que tudo isso...
Se, não na carne, no espírito
de solidariedade com aquele
que sofre, chora e morre
não pelo que faz ou fez,
mas pelo sentimento incontrolável
de quem não compreende...
Nem faz qualquer esforço para isso...
É preciso sentir na pele,
por vezes, literalmente,
para dimensionar a loucura
de julgar o outro
sem um dado objetivo
que justifique esta postura.
Não é fácil matar 
um leão por dia
e ser excluído pelo
grau de melanina
OU por quem você suspira
OU pela sua conta bancária
OU pela sua luta diária
OU de onde vai ou vem
OU de quem você crê no além...
Esqueça-me por um dia
ou – melhor! – definitivamente,
pois o meu maior defeito
é parecer diferente
aos olhos de quem esqueceu
qual é o sentido de ser gente...

Rodolfo Pamplona Filho



HOMENAGEM AO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


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