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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Baile de Máscaras - Heróis de verdade, Roberto Shinyashiki




A revista ISTO É publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi. O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

Em 'Heróis de Verdade', o escritor combate a supervalorização das aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTO É - Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki - Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe.

O mundo define que poucas pessoas deram certo.

Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegarão a ser gerentes.

E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados.

Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu à pena, porque não conseguiu ter o carro, nem a casa maravilhosa.

Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa, possa se orgulhar da mãe.

O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes.

Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros.

São pessoas que sabem pedir desculpas e admitiram que erraram.

ISTO É -O Sr. citaria exemplos?

Shinyashiki -  Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia.

Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis.

Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.

Acho lindo  quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito '100% Jardim Irene'.

É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes.

O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana.

Em países como o Japão, a Suécia e a Noruega, há mais suicídio do que homicídio.

Por que tanta gente se mata?

Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher, que embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa  décadas em um emprego, que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTO É - Qual o resultado disso?

Shinyashiki - Paranóia e depressão cada vez mais precoce.

O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão  aparece.

A única coisa que prepara uma criança para o futuro, é ela poder ser criança.

Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças  serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas.

Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTO É - Por quê?

Shinyashiki - O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento.

É contratado o sujeito com mais marketing pessoal.

As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência.

Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas  palavras.

Disse que ela não parecia demonstrar interesse.

Ela me respondeu estar muito interessada, mas como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas.

Contratei-a na hora.

Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTO É - Há um script estabelecido?

Shinyashiki - Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um  presidente de multinacional no programa 'O Aprendiz'?

- Qual é seu defeito?

Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:

- Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.

É exatamente o que o Chefe quer escutar.

Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido?

É contratado quem é bom em conversar, em fingir.

Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.

O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse:

'Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir'.

Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor!

ISTO É - Temos um modelo de gestão  que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki -Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade  de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e  não se preocupam com o conhecimento.

Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência.

Cuidado com os burros motivados.

Há muita gente motivada fazendo besteira.

Não adianta você assumir uma função, para a qual não está preparado.

Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão.

Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso, para o qual eu não estava preparado.

Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia.

O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTO É - Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki - Falta às pessoas a verdadeira auto-estima.

Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa.

Antes, o ter conseguia substituir o ser.

O cara mal-educado  dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom.

Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser, nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer.

As pessoas parecem que sabem, parecem que fazem, parecem que acreditam. 

E poucos são  humildes para confessar que não sabem.

Há muitas mulheres solitárias no Brasil, que preferem dizer que é melhor assim.

Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTO É - Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki - Isso vem do vazio que sentimos.

A gente continua  valorizando os heróis.

Quem vai salvar o Brasil? O Lula.

Quem vai  salvar o time? O técnico.

Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.

O problema é que eles não vão salvar nada!

Tive um professor de filosofia que dizia:

"Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham'. Pode parecer incrível, mas a  rainha Elizabeth também tem diarréia."

Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.

A gente tem de parar de procurar super-heróis, porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTO É - O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki - Exatamente. A gente não é super-herói nem  superfracassado.

A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza.

Não há nada de errado nisso.

Hoje, as pessoas estão questionando o Lula, em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram.

A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTO É - Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki -Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente.

Há várias coisas que eu queria e não consegui.

Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos.

Com uma criança especial, eu aprendi que, ou eu a amo do jeito que ela é, ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que  fosse.

Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo.

O resto  foram apostas e erros.

Dia desses apostei na edição de um livro, que não deu certo.

Um amigão me perguntou:

'Quem decidiu publicar esse livro?'

Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTO É - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki - O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as  pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las.

São três fraquezas: a primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança.

Os Beatles foram  recusados por gravadoras e nem por isso desistiram.

Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno.

Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards.

Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates.

O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTO É - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki - A sociedade quer definir o que é certo. São quatro  loucuras da sociedade...

A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se eles não tivessem significados individuais.

A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.

A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo.

Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo.

Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas.

As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

Felicidade  não é uma meta, mas um estado de espírito.

Tem gente que diz que não será feliz, enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento.

Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo à praia ou ao cinema..  

Quando era recém-formado em São Paulo , trabalhei em um hospital de pacientes terminais.

Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.

Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte.

A maior parte pega o médico pela camisa e diz:

'Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei à vida inteira, agora  eu quero aproveitá-la e ser feliz'.

Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.

Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado  muito tempo ou perdido várias oportunidades de ser feliz...

-- 

"Sou um só, mas ainda assim sou um.
Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa.
Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso.
 
Fonte: Revista - ISTO É

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

HORA DE COLOCAR A VIDA NO PRUMO


É sempre a mesma história. Chega a virada de ano e somos invadidos por uma onda de entusiasmo e boas intenções que nos deixa confiantes de que, finalmente, seremos capazes de promover pequenas ou grandes mudanças que vão melhorar nossas vidas. Parar de fumar, emagrecer, começar a se exercitar, mudar de emprego, iniciar um curso, resolver uma relação... Promessas de ano novo que, geralmente, não sobrevivem aos primeiros dias ou semanas. Mas o que leva a desistirmos, se desejamos tanto a transformação?

"Isto acontece por falta de um planejamento adequado, e por não conhecermos os mecanismos e estratégias que fazem com que consigamos efetivamente mudar comportamentos, capacidades, crenças, valores que nos impedem de atingir mudanças a médio e longo prazo", explica o médico e psicólogo Roberto Debski, da Clínica Ser Integral, trainer internacional em PNL (Programação Neurolinguística). A PNL estuda como criamos nossos pensamentos e sentimentos, estados emocionais e comportamentos, e nos mostra como podemos agir para prontamente direcionar e modificar estes padrões.

Roberto Debski conta que há um pressuposto na PNL que anuncia: "A energia flui para onde a atenção está". Ou seja, aquilo em que focalizamos nossa atenção será como um filtro e atrairá nossa energia. Se somente focalizarmos e percebermos o que é ruim, problemas, doenças, carências, isto é o que será ressaltado e o que vivenciamos. Já se nos conectarmos nas coisas boas, felicidade, amor, oportunidade, é nisto que "esbarraremos" em nossas vidas. E ainda achamos que tudo ocorre por acaso".

Há quatro componentes a serem observados para assumirmos o controle de nossas vidas:

Fisiologia - A postura corporal indica nosso estado de espírito. A mudança na fisiologia, com uma postura de mais energia e vitalidade, também afeta o emocional, diminuindo conseqüentemente os sintomas depressivos.

Linguagem -
A maneira como nos comunicamos, com os outros e conosco, gera diferenças cruciais nos nossos sentimentos, ações e resultados. Comunique-se cuidadosa e amorosamente. E lembre sempre que o futuro não tem relação com o passado.

Foco -
É onde colocamos nossa energia e nossa atenção e é o que determinará o que atrairemos. Buda disse: "O que somos é a conseqüência do que pensamos". Mas não adianta somente pensar positivo. Segundo Roberto Debski, a PNL ensina que devemos utilizar estratégias adequadas para atingir nossas metas, de maneira efetiva.

Crenças -
São princípios que nos orientam, quer tenhamos conhecimento delas ou não, e proporcionam significado e direção em nossas vidas. Elas são reveladas pelo que você faz, não pelo que diz. As crenças permitem e nos impulsionam para nossos objetivos quando são potencializadoras, ou nos bloqueiam e impedem quando são limitantes. São implantadas desde cedo, por nossos pais, familiares, professores, amigos etc. Com crenças orientadas fortes, podemos agir e criar o mundo no qual desejamos viver, pois elas nos ajudam a focar o que queremos e nos energizam para obtê-lo.

Viva o hoje
O médico e psicólogo lembra que as pessoas hoje vivem preocupadas, nervosas e ansiosas por problemas pelos quais estão passando, ou ainda nem passaram. "As pessoas estão se limitando pelo medo e negatividade, e fechando a porta para sua felicidade. Primeiro devemos saber que somos os únicos responsáveis pelo que sentimos e pela vida que levamos, como bem colocou Anais Nin: Não vemos as coisas como são, mas como nós somos. Assumir esta condição é fundamental para que possamos iniciar o processo de mudança. Quando experimentarmos paz interior e fé na vida, com a certeza de que estamos fazendo o melhor possível hoje, mesmo que tenhamos errado no passado, vivenciaremos uma radical transformação pessoal", orienta.

Roberto Debski recorre a um conhecido ditado tibetano para mostrar o quanto preocupação e ansiedade são inúteis: "Se o seu problema tem solução, então não há com o que se preocupar; se o seu problema não tem solução, qualquer preocupação será em vão". "São sentimentos que fazem com que nossas chances de resolver qualquer problema diminuam, pois nossa mente se mantém enevoada e fechada para vislumbrar quaisquer possibilidades e alternativas, limitando nossas ações, Certamente pouco ou nada de proveitoso resultará de tal estado de espírito", esclarece.

Segundo ele, devemos confiar mais em nós mesmos, pensando, falando e agindo congruentemente e da melhor maneira possível, para que estejamos certos de que hojer fizemos o melhor, o máximo dentro de nossas possibilidades. E se, mesmo assim, algo não ocorreu como esperávamos, com a consciência tranqüila saberemos que é porque então temos algo a aprender com esta vivência, uma lição que servirá para nos fortalecer para a vida".

Fonte: Jornal da Orla (Santos - SP)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

AS 4 LOUCURAS DA SOCIEDADE


Entrevista com Roberto Shinyashiki (médico- psiquiatra)
- O senhor acha que muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
Shinyashiki responde:
A sociedade quer definir o que é certo. São quatro as Loucuras da Sociedade:
A primeira loucura é:
-Instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados
individuais.
A segunda é:
-Você tem de estar feliz todos os dias.
A terceira é: -Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo
absurdo.
Por fim, a quarta loucura:
-Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe.
Não há um caminho único para se fazer as coisas.
As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.
Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz
que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem
infelizes justamente por causa do casamento.
Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou
amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de
pacientes terminais.

Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei
conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa
e diz:
"Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora
eu quero aproveitá-la e ser feliz".

Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi
que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o
dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou
perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

"Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional."
Pense nisso...

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